"Porque há o direito ao grito. Então eu grito." Clarice
Esses dias precisei lutar pela minha tranqüilidade. Eu posso ficar muito tranqüila comigo mesma - apesar de sentir tanta coisa e pensar muito mais - mas é um fato que os outros conseguem me incomodar. Acabei me acostumando a contar com a falta de educação, com a falta de respeito, com a falta de noção; e acabei me acostumando a guerrear para conseguir meus minutos de descanso. Veja que este descanso é o que me permite colocar em prática minhas criações, e extrapolar o nível dos meus pensamentos para exteriorizar o que eu sinto e o que eu preciso elaborar. Quando não me reservo, todo dia, essa quota de refinamento do mundo, é como se, naquele dia, eu não tivesse existido: meus sentimentos são sempre muito volúveis, e é preciso captá-los no momento exato, senão, fogem, e nunca mais aparecem em mim de novo. Claro que isso não é o tipo de coisa que se fale a certas pessoas, imagine:
Eu: Boa noite, você pode, por favor, fazer menos barulho?
Vizinho-Transtorno: Desculpe, minha senhora, não sabia que estava incomodando. (!)
Eu: Como não se são 4h30 da manhã?
Vizinho-Transtorno: Mas a senhora dorme às 4h30 da manhã de uma segunda-feira?
Eu: Filhinho, olhe só: a questão não é se eu durmo a esta hora, a questão é se eu crio a esta hora, ou mesmo se eu tenho a possibilidade de criar a essa hora. E tem mais: já me é árduo demais trabalhar amanhã, sem poder me ser plenamente com os demais, e ainda preciso não-me-ser com muito sono e muito cansada? Não há quem agüente tanta provação. Preciso ser autêntica, entende?, e o seu barulho interfere.
Vizinho-Transtorno: (Piscando)
(Suspiro) Muito complicado lidar com as questões da vida em sociedade do meu jeito. Sou obrigada a recorrer a maneiras convencionais - e por acaso alguém acredita ainda nessas maneiras? Se elas funcionassem de verdade, não continuaríamos tendo os mesmos problemas - eu mesma tenho os meus problemas há anos! Também não me tranqüiliza pensar que só eu penso em soluções alternativas, sendo que isso foi o que fiz a vida toda, com tanta gente, com tanta coisa. Por isso digo que é uma luta pela tranqüilidade.
E se não fosse pela luta, não seria tão tranqüilo depois. Eu sei. Mas é que eu preciso reclamar, senão explodo, já tem muita coisa se mexendo em mim.
Sem contar que hoje escapei (delicadamente) para ficar um tempo sozinha, organizar os conteúdos. Eis que não consigo: não podia deixar de perceber duas promotoras de venda de um restaurante competindo por clientes - juro que esperava que elas fossem se estapear. E o restaurante prometendo "vida saudável", bem atrás delas. Essas contradições do mundo acabam comigo, já não me bastam as minhas próprias contradições?
Acho que preciso de férias do mundo. De mim mesma, uma overdose.
"Não sei se quero descansar, por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir." Clarice
Esses dias precisei lutar pela minha tranqüilidade. Eu posso ficar muito tranqüila comigo mesma - apesar de sentir tanta coisa e pensar muito mais - mas é um fato que os outros conseguem me incomodar. Acabei me acostumando a contar com a falta de educação, com a falta de respeito, com a falta de noção; e acabei me acostumando a guerrear para conseguir meus minutos de descanso. Veja que este descanso é o que me permite colocar em prática minhas criações, e extrapolar o nível dos meus pensamentos para exteriorizar o que eu sinto e o que eu preciso elaborar. Quando não me reservo, todo dia, essa quota de refinamento do mundo, é como se, naquele dia, eu não tivesse existido: meus sentimentos são sempre muito volúveis, e é preciso captá-los no momento exato, senão, fogem, e nunca mais aparecem em mim de novo. Claro que isso não é o tipo de coisa que se fale a certas pessoas, imagine:
Eu: Boa noite, você pode, por favor, fazer menos barulho?
Vizinho-Transtorno: Desculpe, minha senhora, não sabia que estava incomodando. (!)
Eu: Como não se são 4h30 da manhã?
Vizinho-Transtorno: Mas a senhora dorme às 4h30 da manhã de uma segunda-feira?
Eu: Filhinho, olhe só: a questão não é se eu durmo a esta hora, a questão é se eu crio a esta hora, ou mesmo se eu tenho a possibilidade de criar a essa hora. E tem mais: já me é árduo demais trabalhar amanhã, sem poder me ser plenamente com os demais, e ainda preciso não-me-ser com muito sono e muito cansada? Não há quem agüente tanta provação. Preciso ser autêntica, entende?, e o seu barulho interfere.
Vizinho-Transtorno: (Piscando)
(Suspiro) Muito complicado lidar com as questões da vida em sociedade do meu jeito. Sou obrigada a recorrer a maneiras convencionais - e por acaso alguém acredita ainda nessas maneiras? Se elas funcionassem de verdade, não continuaríamos tendo os mesmos problemas - eu mesma tenho os meus problemas há anos! Também não me tranqüiliza pensar que só eu penso em soluções alternativas, sendo que isso foi o que fiz a vida toda, com tanta gente, com tanta coisa. Por isso digo que é uma luta pela tranqüilidade.
E se não fosse pela luta, não seria tão tranqüilo depois. Eu sei. Mas é que eu preciso reclamar, senão explodo, já tem muita coisa se mexendo em mim.
Sem contar que hoje escapei (delicadamente) para ficar um tempo sozinha, organizar os conteúdos. Eis que não consigo: não podia deixar de perceber duas promotoras de venda de um restaurante competindo por clientes - juro que esperava que elas fossem se estapear. E o restaurante prometendo "vida saudável", bem atrás delas. Essas contradições do mundo acabam comigo, já não me bastam as minhas próprias contradições?
Acho que preciso de férias do mundo. De mim mesma, uma overdose.
"Não sei se quero descansar, por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir." Clarice
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