quinta-feira, 3 de abril de 2008

09/11/2007

How to Disappear Completely
“That there That's not me I go where I please I walk through walls I float down the Liffey I'm not here This isn't happening I'm not here I'm not here In a little while I'll be gone The moment's already passed Yeah it's gone And I'm not here This isn't happeningI'm not here I'm not here Strobe lights and blown speakers Fireworks and hurricanes I'm not here This isn't happening I'm not here I'm not here.” Radiohead


Mais um passo na minha elaboração do que me ocorre. Este último semestre tem sido decisivo de uma forma inesperada: já passei por momentos mais modificadores da minha realidade, mas estes momentos foram planejados – eu havia me preparado toda uma vida p/ eles, houve uma grande elaboração e um desejo imenso de que tais transformações ocorressem. Mas hoje, hoje é diferente.

Me vejo sempre cercada pelas escolhas, e eu sei que são as nossas escolhas – mesmo as inconscientes, impulsivas, repentinas – que escrevem a nossa vida. Sei que tudo que eu escolher agora se refletirá no meu futuro, para o bem ou não: é preciso ter muito cuidado, todo o cuidado, quando se vive. Viver sempre desencadeia o mundo: em qual mundo quero me depositar? Já houve um período em que eu não acreditava no meu poder de decisão sobre a minha essência, hoje sei que posso fazer dela o que quiser: óbvio que sofro com o peso desta grande responsabilidade. Por outro lado, ando reescrevendo a minha história, e já percebi - sempre conquistei o que eu quis, mas nunca pude perceber por sempre querer além. Olho para o hoje, e então sorrio, s/ querer saber do que virá.

Como costumo dizer, não ter consciência das coisas, às vezes, me traria uma maior felicidade, pois é sempre um sofrimento enfrentar a “LUCIDEZ PERIGOSA”. Não tem fuga: preciso realmente me mergulhar na lucidez, já que a tenho, p/ conseguir entender o que a vida quer de mim – ou melhor, o que eu quero de mim e da vida. Transformo isso em pergunta: o que eu quero de mim e da vida? – e, pronto!, imediatamente estou no mundo das escolhas outra vez.

Reservo alguns pedaços do meu tempo p/ pensar na pergunta. Por enquanto, só consigo pensar na pergunta, e aos poucos percebo que estou mais perto de pensar nas respostas. No fundo, sempre me interessei mais em perguntar do que em responder, acho muito bonito o mistério que existe na vida. É de uma beleza s/ tamanho, e nesse mistério estão todas as possibilidades. Possibilidade vem de Possuir. E eu me possuo como ninguém, mas isso não quer dizer que eu tenha algum controle. A grande questão é o inesperado: faz o coração se mexer em meio à inércia de um cotidiano mecânico e indesejado.

Quero sair desse cotidiano cada vez mais. Penso na peça “Como me tornei estúpido” – não é sem consciência que me interessei em vê-la. Não posso admitir que isso aconteça comigo, mesmo lidando diariamente com a agudeza da percepção do que me corrompe e do que me autentica. E quando penso: I’m not here. Eu não sou isso, não sou assim – deveria ser?
Não quero e nem consigo.

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