quinta-feira, 3 de abril de 2008

26/10/2007

1.
Ontem eu desmoronei: e hoje me sinto pela metade. Tem dias que são tão diifíceis que duram anos, e que me provocam tal angústia que não saio a mesma. Retorno como se um pedaço fosse cortado s/ dó. Incrível como eu sempre sinto a falta que me faz o que eu nunca tive: como é possível sentir o que nunca tivemos - eu sinto que eu quase tive, cheguei perto, mas não foi. E permanece p/ sempre essa espécie de buraco branco, s/ possibilidade de preenchimento. Mas isto é uma ausência antiga, vez ou outra retorna à minha consciência - o grande desespero é quando acontece outra vez. Parece que tenho tudo resolvido dentro de mim - seria simples se pudéssemos viver c/ as aparências. Não quero mais me atingir nesse pedaço que falta cicatrizar: dói tanto, e me sinto tão pouco.
2.
Tão pouco. Existem pessoas, situações, conversas, que eu sinto mais. Ontem foi daqueles dias que quer-se sumir: p/ não sei onde, p/ onde der, da maneira que for possível. Permaneço neste ambiente que me desagrada cada dia um pouco mais: não há ninguém aqui perto em quem eu confie, e sei exatamente como é difícil que as pessoas me apreendam como sou de fato. Não sou simples, e é mais fácil se acostumar em ser - não aceito isso p/ mim, já decidi quem eu sou. A questão é, então, que eu passe a viver bem c/ essa verdade - mas já não espero que quem está ao meu redor consiga com-viver com esta beleza estranha. Quero me livrar dessa sensação de 'tão pouco' - a minha medida jamais pode ser a medida do outro.
Ontem tentei dar um passo de felicidade na minha vida. Passo em falso - machuca, mas não mata. Não aceito o fracasso de nunca tentar: mesmo que dê errado, ao menos fiz algo por mim, e tentei alcançar certos objetivos. Nesse momento entram os meus paradoxos: depois de um grande ato de coragem, desmorono. Quase uma compensação. Viver é assim mesmo: preciso de vários "atos de coragem" para alcançar meu "ato de liberdade". E minha vingança - ou justiça? - do que me foi feito e dito, será a persistência de quem continua mesmo aos pedaços. Obs.: as palavras "vingança" e "justiça" em latim são 1 só palavra, a tradução depende do contexto - e não é assim mesmo?
3.
Sempre estou nesse dilema: fraqueza x coragem. Hoje me sinto fraca, e dói. Parece que meu coração está mais sensível. Gostaria de enxergar as minhas coragens, pois sei que posso ser uma mulher muito forte quando é preciso. Mas e quando eu não consigo, o que posso fazer? Hoje foi muito difícil me levantar e enfrentar o dia: hoje vou ficar pensando na minha Ausência - com A maiúsculo.
Quando vc foi embora, eu não soube. Era pequena demais p/ saber - e hoje me sinto aquele "pequena". Sempre tive a esperança de que vc voltasse - e a minha Ausência poderia ser preenchida. Um dia, quem sabe. Mas, hoje, sinto a dor do que é irreversível, e de perceber que não há mais como. Gostaria que fosse apenas uma desesperança, mas é um fato. Quando vc foi embora, deveria saber que uma presença torta ainda é melhor do que a Ausência completa. E se me sinto sempre abandonada - vc foi o começo de tudo. Desde então, desde sempre, todos os dias, luto contra isso - mas hj, hj não: desmoronei c/ gosto. Não sei se vc sofre, não sei o que vc pensa, não sei quem vc é - e vc também jamais saberá qualquer coisa de mim. Não sinto raiva: sinto a Ausência, sinto a figura transparente de quem nunca existiu comigo.
Então, vem a minha filosofia de vida, que resume-se um pouco nessas frases: " Por isso é que eu penso assim / Se alguém quiser fazer por mim / Que faça agora."
Eu sei o porquê da minha ansiedade, e cada um é responsável por suportar suas próprias dores.

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