quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

*suspiros*


Deixa eu ser feliz só um pouquinho, Universo, só um pouquinho, vai, por favor...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Constância

Que minha vida anda um caos, não é nenhuma novidade, mas foram justamente as situações provocadas pelo caos que me levaram de volta ao passado, e me fez refletir em várias questões.

Havia sete anos não via uma amiga X. Nos reencontramos. O sentimento está intacto, e a amizade, renovada.


Havia seis anos que não passava por algumas ruas do bairro antigo. Me despertou a lembrança de uma vida toda passada ao lado de outra pessoa, que tanto contribuiu para preencher os vazios que tinha na época. Senti vontade de um reencontro, somente para saber como a vida continuou agindo daquele lado de lá do mundo.

Havia anos que as pessoas não estavam mais onde estiveram, mas o meu coração dispara do mesmo jeito ao me aproximar.

A mobília, o meu antigo quarto, meus antigos objetos de decoração (que hoje nada tem a ver com a pessoa que me construí), as louças, a casa, os cômodos: tudo está como sempre foi. E, então, senti um pequeno afrouxamento no meu coração:

“Então havia partes do mundo que não foram destruídas!”

Esta sensação de solidez, de constância, de permanência, me fez bem. Quer dizer que nem tudo desmorona, quem diria. Quer dizer que eu tenho um lugar intacto para onde posso ir de vez em quando e, me apoiando nesta estrutura ao redor, posso tentar me recuperar.

Também refleti em como está meu coração, hoje: inflamado, com pus, alguns cortes, esfolações em carne viva, inchado, ultra sensível. De olhar, ele dói. Como um enorme machucado que não conseguimos encostar para tratá-lo.

Não sei o que faço com meu coração. Há quem diga: aceita. Há quem diga: ignore.

E eu, o que digo? Digo isso:

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Sol

O mundo parece inteiramente fora do lugar. Acho que é a tua ausência que provoca esta desordem: os meus motivos para estar viva, tão claros a mim antigamente, hoje, simplesmente, não existem. Acordar diariamente sem este ânimo quase é impossível, e chego a me questionar constantemente se vale a pena continuar por aqui.

Esta saudade. Um coração tão cheio de memórias, e cada uma delas lateja, a cada olhar ao redor, a cada música que toca, a cada rua que passo, a cada assunto que emerge. O mundo costumava ser tão colorido, tão quente, e tão acolhedor.

Enfrento a solidão, o pânico, a dor, a saudade, o coração partido, os sonhos desaparecidos. Uma pequena menina diante de um exército. Mas, ainda assim, ainda que eu tropece, ainda que eu esteja esburacada, acredito que sou forte, pois minha única alternativa é sê-lo. Sofrer por amor, realmente, é uma das maiores tragédias que existem.

E, hoje que tudo é cinza e sem sentido, me pergunto quando as cores irão voltar. Meu coração, quando irá cicatrizar, porque perder um grande e divino amor parece não ter cura, nem solução, nem nada que nos faça esquecer.

Não irei mesmo esquecer, aquele que sempre foi o Sol da minha vida. Eu orbitava ao teu redor, completamente entregue. Lembra?
Talvez não.

Há roupas que não consigo usar, lugares que não consigo ir, assuntos que não consigo falar, memórias que preciso evitar. Tudo isso apenas para continuar existindo. Nem falo em viver, pois isto está um pouco fora de cogitação.

Já viu o que acontece em um planeta sem Sol.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Calma




Cada um com seu Deus. Este é o meu.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Dia Exaustivo em 3 Partes

Hoje meu dia foi exaustivo. Me parece que não importa quanta força eu faça, é sempre pouco diante do que preciso enfrentar.

Parte 1. Solidão
Foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha. Escolhi logo um domingo, e logo o final do ano para enfrentar a minha solidão, o que multiplica em três o número de pessoas ao meu redor. Conforme eu olhava, e via casais andando de mãos dadas ou mesmo famílias unidas, sentia um nó em meu coração como se ele fosse deixar de existir. No entanto, eu tinha feito uma promessa comigo mesma de que iria enfrentar esse meu fantasma, e continuar fazendo as coisas de que gosto, mesmo que não tivesse ninguém com quem compartilhá-las.

Só me senti mesmo confortável quando estava dentro da sala do cinema, no escuro, e foi então, que eu pude, enfim, chorar. Chorar a minha condição: olhar ao lado e não ver quem sempre esteve ali arrancou mais um pedaço de mim. Mas eu tinha que ser forte: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Quando chorei durante o filme, foi o único momento que gostei de estar sozinha. Quem visse de fora, talvez me achasse uma adolescente apaixonada. Por dentro, eu sentia uma dor dilacerante, arrancando mais e mais pedaços de mim. Mas eu tinha que ser forte: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Desejei que o filme nunca mais acabasse. Tive medo de sair dali, medo de ter que enfrentar a minha situação, medo de encarar que jamais acordarei deste pesadelo. A dor subia pela minha garganta de minuto em minuto, e tive que ser forte para não ter uma crise de choro ali mesmo. Seria constrangedor demais.

Parte 2. Pânico
Sentir minha dor faz com que eu me sinta desprotegida. Deixo sempre para senti-la quando estou em casa, pois a sensação é de que morrerei com um golpe de ar. Hoje, não tive como evitar, e meu sofrimento apareceu ali mesmo. Isso me despertou aquele sentimento de criança que tenho, abandonada e absurdamente frágil.

Dentro do meu peito, meu coração acelerava, e eu já sabia o que estava por vir. Conheço tão bem esse suor frio que percorre as minhas costas. Quando pensei que você não estava ali para me proteger, desejei com toda a minha alma que eu simplesmente morresse, ali mesmo. Mas eu tinha que enfrentar o pânico e tinha que enfrentar a dor, ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo.
Juro que achei que ia enlouquecer.

Respirei o mais fundo que pude e fingi para mim mesma, por cinco minutos, que havia esperança para mim. Que ainda poderei ser feliz. E que não precisarei me acostumar com a solidão pois ela não é a minha sina. Mais uma vez: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Parte 3. Abrigo
Agora, em casa, sinto os meus músculos doendo, tamanho o estado de tensão que fiquei neste tempo todo. Me preparei uma comida gostosa, e reservei alguns pequenos prazeres para mais tarde. Não posso me distrair por um segundo, que vem a dor chegando mais uma vez, e arrancando muitos pedaços de mim. Me pergunto como ficarei de pé, assim esburacada como estou. Assim sem nenhuma sustentação.

Aqui em casa, pelo menos, não preciso enxugar lágrimas nem engolir soluços. Não posso, e isso sim é difícil, deixar me levar pelo meu estúpido coração.

Eu quero, de verdade, desaparecer.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Frase do Dia

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice Lispector

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Buraco

Eu não descreveria melhor o que ando sentindo:

"Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada - eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reforma. Mas era só isso - só um cômodo pequeno. ... Nenhum investimento poderia me tornar funcional novamente."

"... de novo eu tinha problemas com o buraco idiota no meu peito. Mantive os braços cruzados no peito, firmes, e tentei banir a dor dos meus pensamentos."

"Esse futuro se perdera para sempre e nunca estaria ao meu alcance. Lutei para recuperar o controle enquanto o buraco em meu peito doía, oco."

"O vazio completo de minha vida despertou e me confrontou. A solidão sufocava minha garganta."

"Vesti o pijama e me arrastei para a cama. A vida parecia tão sombria naquele momento que me permiti trapacear. O buraco - agora os buracos - já doía, então, por que não? Invoquei a lembrança - não uma lembrança real que doesse demais, mas a falsa lembrança - e brinquei com ela mentalmente até que dormi, com as lágrimas ainda rolando devagar por meu rosto vazio."

"Quanto mais você ama alguém, menos tudo faz sentido."

"Eu era viciada no som de minhas ilusões."

"... nenhuma dessas preocupações tão reais, tão prementes e tão merecedoras de minhas reflexões conseguia afastar minha mente da dor em meu peito por muito tempo."

"O buraco inflamara nos últimos dias, as bordas ardiam."

"Mas estava vazia. Seus olhos eram inexpressivos. Ela não ouvia mais música. Ela estava evitando tudo que podia lembrá-la dele. ... Não é como se alguém a tivesse deixado, era como se alguém tivesse morrido.
Era mesmo como se alguém tivesse morrido - como se eu tivesse morrido. Porque foi mais do que apenas perder o mais verdadeiro dos amores verdadeiros, como se isso não fosse o bastante para matar alguém. Também foi a perda de todo um futuro, de toda uma família - de toda uma vida que eu escolhera."


"Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e continuar batendo? ... eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma única palava pudesse me despedaçar."

"Eu podia sentir o fantasma do buraco, esperando para se abrir de novo assim que ele desaparecesse. Não havia como sobreviver dessa vez."

"O rasgo em meu peito se abriu, e a dor foi de tirar o fôlego."

"Era como se meu coração não estivesse ali, como se eu estivesse oca. Como se eu tivesse deixado com você tudo o que havia aqui dentro."

"... eu já deixara de tentar viver uma semana de cada vez, ou mesmo um dia. Lutava para suportar uma única hora."

Talvez ela devesse ter tentado se adaptar aos pedaços de vida que restaram.
Talvez fosse o mais perto que ela chegaria da felicidade.

(Stephenie Meyer)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

I just need a little light

"Stay alone in my room Every moment passing too soon Watch the candles burn into the night Fall into a dream Wake up and everything´s the same
A second older but alone just like a child
If you just give me a sign To live and not to die
Then i could see a little light I could find some piece of mind
I don´t know where you are Maybe near or maybe far
I just need a little light
Hear a clock ticking On a life that could have meaning
If i could find the love light in your eyes
See a million people Everyone´s so lonely
But we don´t have to be alone tonight
Then i could see a little light I could find some piece of mind
I don´t know where you are Maybe near or maybe far
I just need a little light
Stay alone in my room Every moment passing too soon
Watch the candles burn into the night"

A dor não diminui nunca, não regride sequer um centímetro. Quando penso que talvez ela esteja me deixando - nem que seja por um momento curto - eis que a sinto novamente esmagando meu peito. O que me resta é encontrar meios de não tocar nesta dor, me preservando um pouco da destruição completa, e então adquiri esse torpor.

Tenho duas opções, hoje: a dor imensa, ou o nada. Tenho escolhido o nada, com muita força de vontade, e lutado constantemente para continuar neste nada. Que vida medíocre, a minha: o máximo que consigo obter é nada. E pesar que já fui tão feliz.

Olha a dor, vindo novamente, sem piedade. Até paro de escrever e procuro me distrair com qualquer banalidade.

O pior vem na hora de dormir. Meu maior desejo, e meu pedido constante, tem sido dormir para nunca mais acordar. Não encontro propósito nenhum em continuar aqui: por quem, ou para quem? O rumo das coisas segue sem mim, e segue, principalmente, alheio aos meus desejos. E, quando durmo, desejo que eu pelo menos não sonhe, porque certamente verei teus olhos, e sentirei a dor vindo, mesmo dormindo. Porque ela vem sem dó. E, ao acordar, conforme minha mente vai se lembrando de tudo que está acontecendo, meu peito se espreme, meu coração seca e sinto como se nem alma tivesse.

Estou oca. Um buraco enorme e ferido. Como dói. E continuo me sentindo muito só.
Não há ninguém aqui, como sempre. Vai ver que eu estava certa quando dizia que meu destino é ser sozinha.

Suspiro. E penso no quanto preciso de colo. E de ajuda.
Até onde conseguirei ir?
E por que eu deveria continuar?

Não me lembro qual foi o último dia que não chorei. Faz parte da minha rotina, como checar e-mails, tomar banho, comer. Olha a dor chegando mais uma vez - sinto tanto medo. Estou assustadíssima. É pior do que morrer, viver assim, não é vida. Todos os dias eu peço por um milagre, um alívio, algo que me faça pelo menos menos infeliz. E eu queria poder ter um dia de descanso, um dia que eu não precisasse temer meu desmoronamento.

Aconteceu comigo o que eu mais temia. E agora?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

É.

Tenho a sensação de que há mais espaço para a tristeza do que para a felicidade.
A tristeza que sinto parece não ter fim, segue crescendo em espiral.
Mas, de felicidade, nunca passei por isso. Chegava um momento que ela simplesmente parava de acontecer, e eu me contentava com aquela dose.
A tristeza, não. Estou achando que vou morrer disso.

Estou achando que o vazio será mais forte que eu.
Quase desistindo de tudo, afinal.

E eis que toda minha esperança terminou. Antes, pelo menos dela me sustentava. Hoje, não tenho sequer isso.

Somente fantasias adolescentes ridículas e impossíveis.

Então aqui é o fundo do poço?
É.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Espero que

O que eu mais tenho medo é dessa sensação de estar sozinha.

Olho ao meu redor e sinto tanto medo de tanta coisa, e não há quem possa estar ao meu lado, de um jeito forte e presente.
Eu preciso de alguém que me proteja, do mundo e de mim mesma, dessas angústias que parecem que irão ser fatais, dessa sensação de que nada vale a pena ou faz sentido.

Espero pelo dia que não irei chorar. Hoje, choro todos os dias.
Espero pelo dia que não irei me sentir abandonada.
E espero pelo dia que eu me sentirei feliz e plena novamente.

Não posso esperar que você volte. Mas meu coração já dá sinais de saudade insuportável. Nunca escutei caso de quem morresse de saudade, mas já ouvi falar de quem morresse de tristeza.

Também bem que espero ansiosa por algum presente do mundo. Para amenizar essa dor, me aliviar o coração apertado, quem sabe recolocar os pedaços de um coração partido no lugar. Mas, quanto mais acredito no mundo e na vida, mais decepcionada fico.

Não vejo nada onde eu possa me segurar nesse momento de dor. Caio, caio, caio, sem fim e sem rumo. Me refugio nesse meu silêncio esquisito e enjoado, de quem está ferida e com medo das pessoas, um animal, um bicho, não sei bem.

Estou tão cansada de lutar contra a dor e a tristeza. E, mesmo lutando com todas as minhas forças, ainda assim me pego chorando pelos cantos, todas as noites, sem piedade de mim.

Espero pelo dia que tudo isso acabe, e pouco me importa como será este fim, desde que exista um. Nada mais importa, mesmo. Nem me importo mais comigo.

Tem sido tão insuportável. Só eu sei.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma imagem vale mais...

A imagem traduz exatamente como eu ando me sentindo.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Frase do Dia

"...Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar... "

Clarice Lispector

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Menina das Mil Perguntas

“... sentia uma dor imutável e calma no peito como se tivesse engolido o próprio coração e o suportasse com dificuldade...” Clarice

O que acontece com a dor, quando passa o tempo? Acaba ou simplesmente ficamos acostumados a conviver com ela como uma parte do nosso corpo?
O que acontece com o amor, quando passa o tempo? Acaba ou fica guardado para usos futuros, reciclagens, algo do gênero?
O que acontece comigo, enquanto o tempo não passa?
Eu e as minhas recaídas nas perguntas. Mania insuportável essa, a minha. Principalmente porque não encontro quem saiba as respostas ou quem me ensine a conviver com as dúvidas. Eu, sozinha, não consigo ir mais longe do que hoje.
O que faço com tantas memórias, que me machucam a cada instante?
O que faço comigo? Nunca estive tão perdida.
Aos meus ouvidos chegam tantas palavras, mas nunca as que preciso.
E sinto tanto medo, de tudo. Tanto.

“... como se se ligasse por uns instantes a si própria tão desaparecida, ao silêncio recolhido e atento, suspirou enfim e lentamente, e olhando em torno ferida e pensativa...”
Clarice

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Oração do Dia

"Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte.
Faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito.
Faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la.
Abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha.
Amém."

Clarice

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Desabafo da Fraqueza e do Cansaço

Hoje, eu queria poder descansar.

Faz tanto tempo que sou ativa na busca pelos meus desejos que, pelo menos por hoje, eu gostaria que os meus desejos viessem até mim.

Faz tanto tempo que luto contra mim mesma que, pelo menos por hoje, gostaria de ter a sabedoria de me aceitar como eu sou.

Diariamente é esta luta para conseguir ser feliz.
Mais que isso, diariamente é esta luta para acreditar que é possível ser feliz.

Hoje, só por hoje, queria que alguém pegasse na minha mão e me guiasse. Cansada que estou de me guiar como posso, aos trancos, e sempre sem saber direito para onde ir. Hoje, e só por hoje, queria ouvir palavras doces, palavras boas, para amaciar os meus ouvidos tão acostumados a receber más notícias.

Queria receber de presente um alívio, um conforto, um aconchego, ou um dedo que enxugasse a lágrima sem me cobrar um sorriso.

Hoje, eu queria ter uma outra vida, uma outra perspectiva, outro passado e outro futuro. Mas devo aceitar o meu presente tal como ele é, mesmo sem querer.

Hoje, não quero chorar. Não quero sofrer. Quero me permitir ser feliz, mesmo sem ter idéia de como ou por que. Hoje quero ver sentido em mim e na vida.

Estou cansada: de resolver problemas, de resolver conflitos, de me resolver.
Vou deixar tudo este caos que está, e se ninguém conseguir me ajudar a organizá-lo, que fique assim, então. Me acostumo em breve a viver em meio a esta bagunça de mim.

Ultimamente, algumas pessoas tem virado a minha fraqueza contra mim. Em vez de me estenderem a mão, se afastam – por culpa, por susto ou por medo. Que seja. Estou cansada demais para lutar.

Estou cansada demais para fazer tudo sozinha. Alguém pode me ajudar, pelo menos por hoje?

Atualização
"...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver." Clarice

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Frases do Dia

"Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento."

"A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre."

Clarice

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Frase do Dia

"Sou uma filha da natureza: quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só, sou um ser. E deixo que você seja.
Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Agora(s)

Eu sei que ser feliz não é fácil. E muito menos é simples. Mas ser feliz é nossa única esperança e a única coisa capaz de limpar um coração machucado.

Nem sempre conseguimos nos fazer felizes, e quase nunca somos capazes de fazermos o Outro feliz, mas o que importa e o que se leva da vida são as chances recorrentes que damos a nós mesmos. Metade da minha felicidade está em me perdoar da humana que sou, e metade da tua felicidade está em perdoar o humano que é.

Se eu caminhar a minha metade do caminho, você caminha a outra metade em minha direção?

Porque descobri que não existe sentimento sem conflito, nem conflito sem solução, e nem solução que seja rápida. E disso concluo que pretendo me arriscar pela Vida, independente de quantas vezes eu me fira, pois escolho um machucado por ter vivido do que uma vida de saúde amorfa e sem graça.

Não posso fazer as tuas escolhas, nem guiar o teu pensamento até mim. Posso, somente, torcer para que o mundo me presenteie com a sua presença no meu coração.

Ah, também posso te dar de presente: e embrulho um pedacinho de mim para você. Se não quiser ficar com este pedacinho, guarde com carinho na tua vida; se gostar dele, tenho muitos outros aqui, esperando para poderem sorrir.

Gostaria que as coisas fossem mais fáceis, mas elas não são.
Gostaria de conseguir ignorar os meus sentimentos, mas não.
Gostaria de ser mais simples, mas não sou.

Só me resta pedir a você que enfrente a vida comigo, e juntos iremos olhar para todos os absurdos que acontecem conosco e, ainda assim, conseguiremos sorrir. Um dia de cada vez e sem olhar para trás.

Também não precisamos olhar para frente. Olhemos, somente, para os agoras. E que você esteja presente neles, muitos deles.

Vem comigo? Te espero logo ali. O tempo que quiser.
E, se vier, prometo te dar no mínimo um sorriso por dia, por tempo indeterminado.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Frase do Dia

"Aos poucos, do silêncio, seu ser começava a viver mais." Lispector

Do silêncio e também da dor.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Por que a Felicidade assusta

Uma pessoa muito especial na minha vida uma vez me disse que, quando estava feliz, achava que ia morrer. Eu a entendi perfeitamente, e na mesma hora, porque a felicidade realmente assusta.

A tristeza machuca, deixa marcas, dói, mas não assusta. Porque na tristeza ficamos tão limitados em nossas próprias fraquezas que sabemos, ou pelo menos sentimos, que não existem muitas possibilidades ao redor. Estamos ali, e ficaremos por ali, contra nossa vontade, mas ainda assim ali.

A felicidade, não. Se me sinto feliz, passo a acreditar que existem todas as possibilidades de vida para mim e tamanha perspectiva de alegrias vai me deixando mais e mais perdida, diante da imensidão do que posso ter - e mais - do que posso ser. Não ter fantasmas é de uma liberdade tão grande que assusta, a todos, pois somos vulneráveis demais para conseguirmos viver sem um trauma que determine nossos passos.

É muito mais cômodo que nos apoiemos em nossas fraquezas, e façamos delas nossa desculpa para não enfrentarmos nosso medo da liberdade. Porque liberdade não vem sem um pouco de loucura, e a loucura não vem sem uma extrema lucidez.

Se você me perguntar em que estágio estou, te respondo que estou na fase da aguda lucidez. Penso e tudo dói como se me fosse faltar o ar, mas sei que estou como nunca perto de uma liberdade inimaginável. E logo também não serei mais determinada pelas minhas feridas e pelos meus medos, e serei determinada tão somente pela minha essência maior e mais leve.

"... a noção desassossegada de algo a não poder tocar jamais, de alguma coisa que já não lhe pertencia porque estava completa mas que ela ainda se prendia pela incapacidade de criar outra vida a um novo tempo." (Lispector)

E digo para mim mesma todos os dias: se não consigo imaginar algo, não significa que a vida não possa fazê-lo para mim.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

The End is The Beginning

new eternity begins
new eternity begins by Ruh! featuring Marc Jacobs shoes


Hoje meu coração NÃO dói. At all.
Meus fantasmas foram embora, e eis que sou livre.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vocação para ser VIVA

Hoje meu coração dói:
Porque um sonho que acalmava meu coração ruiu bem no meio dos meus dedos.
Porque um sonho ruiu sem que eu tivesse chance de segura-lo em meus braços.
Porque descobri que o amor não existe, e que uma alma gêmea não passa de uma ilusão que construímos para nos sentirmos bem.
Porque houve felicidade baseada em ingenuidade e que, por isso mesmo, não durou.

Hoje meu coração dói porque luto bravamente pela Vida, e porque quero continuar acreditando na Vida, apesar de tudo. Hoje meu coração dói porque busco dentro de mim forças para recomeçar minha história, prosseguir com minha identidade, e não deixar morrer um brilho que plantei dentro de mim mesma.

Não sairei derrotada. Enfrentarei com coragem cada segundo, cada problema, cada dificuldade e, a cada passo que eu der, estarei mais distante disso tudo. Enterrarei pouco a pouco este passado, com a certeza que o meu futuro terá duas vezes mais alegrias e duas vezes menos decepções. E, quando olharei para mim de volta, verei algo muito maior e melhor do que eu jamais supus ser.

Espero que o Universo não me traga nenhuma resposta, e sim, a capacidade de lidar com perguntas e segredos. Assim como que me traga a capacidade de amar e confiar novamente a minha essência a alguém, pois, hoje, não há quem a mereça.

Hoje só amo a mim mesma, e me admiro pela minha força e pela minha vocação para ser VIVA.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A flor & O coração

Ontem me deram uma flor e me disseram que, como era minha, eu poderia coloca-la onde eu quisesse.

Diante da minha tristeza interminável, minha primeira reação foi querer guarda-la em uma caixa que eu nunca mais abrisse, numa tentativa de esquecer todo esse meu sofrimento. Logo a seguir, percebi que seria impossível esquecer tamanha dor, e eu teria que enfrenta-la e ser forte o suficiente para passar por tudo e continuar viva.

Pensando mais um pouco, decidi guardar a rosa dentro do meu coração. Pois mesmo o maior amor do mundo pode ser cruel e conter espinhos. Está aí uma realidade que eu jamais havia enfrentado, pois nunca tinha amado antes. Fui ingênua, e acreditei no mito de felicidade eterna: hoje, sinto todo o meu mundo desmoronando, mas continuo em pé.

Continuo em pé não porque não sinta dor, pois hoje eu sinto toda a dor do mundo. Como se meu corpo e minha mente não fosse capaz de elaborar tanto sofrimento. Como se fosse ser engolida de tristeza. Mas continuo em pé porque acredito na rosa, nas pétalas da rosa, no perfume da rosa, na textura linda e no vermelho, e, por mais que os espinhos estejam entrando no meu coração sem dó, eu ainda acredito que poderei ser feliz novamente.

Eu quero ser feliz com você.
Eu quero ser feliz comigo mesma.
Eu quero ser feliz com os outros.

Hoje, só tento me concentrar nas possibilidades que tenho à minha frente, e seguro a rosa com muito carinho, mesmo com os espinhos cortando as minhas mãos.

domingo, 27 de setembro de 2009

[heartache]



Cuidado para não pisar nos meus cacos que estão pelo chão.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

High and Dry

Dia de muitas elaborações.

Curioso como eu me sinto desconfortável quando eu coloco meus desejos diante dos Outros. Hoje, percebi claramente o motivo dessa minha dificuldade: este tipo de atitude é tida como "agressiva".

Interessante notar no discurso que defender meus desejo é algo como um ataque. O Outro, que me coloca na posição de Objeto, se sente ameaçado quando eu lhe mostro que sou dona de mim. Por alguns instantes, quase caí neste papel - pois esta carapuça vem me servindo ao longo dos anos - mas hoje, enfim, começo a me colocar em outra posição.

Se eu não mudar a posição em que me coloco, o Outro também não mudará a posição em que se e me coloca. Prefiro que seja eu a iniciar essa dança das cadeiras, logo eu, que adoro movimentar o mundo, apesar da angústia.

Hoje também ouvi e pensei bastante a respeito de renúncias. Para mim fica cada vez mais claro que os caminhos estão marcados: um que passou por aqui disse que não, o outro ouviu e repetiu o não, e assim todos caminham esperando obter as mesmas respostas do mundo - ou, na minha crença, do Universo.

Mas comigo, não. Eu acredito que posso receber outras respostas da vida, e arrisco-me a tentar alcançar um estado de plenitude xyz. Claro que este estado talvez represente plenitude somente a mim, e eu espero, de fato, que seja assim. Prefiro um caminho solitário e mal compreendido do que um que não reflita a minha essência.

E se a minha essência é tão paradoxal, me resta encontrar um caminho que também o seja. Não que eu não reflita a respeito do que as pessoas me dizem, mas também assumo que vez ou outra tais palavras não ecoam dentro de mim.

Não deveria ser revolucionário tornar-se um Sujeito, mas é. Dia de muitas elaborações.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sem vírgulas

Meu pensamento caminha sem vírgulas, pontos, sequer exclamações. É uma sucessão de raciocínios que se entrelaçam (aparentemente) sem nenhuma conexão lógica. Eis minha tentativa de ordená-los em direção a algum qualquer insight.

1. Construir meu próprio espaço tem sido uma experiência única. Pela primeira vez, sinto domínio sobre as minhas escolhas, desde as menores até as mais relevantes e determinantes do que sou de fato. Me vejo, nesta construção, e avalio se ela está de acordo com a minha essência. Por enquanto, está em obras – a construção, não a essência, pois esta já foi descoberta.
2. Me habituar com o novo espaço tem sido tarefa digna de diversas notas mentais sobre melancolia, Mas, quer saber? Nada disso, por hoje. Sempre me haverá tempo para ela, enquanto que, para a alegria mansa, reservo pouco de mim.
3. Percebi que houve um arrependimento por algumas escolhas feitas. Em seguida, parei para pensar que o meu arrependimento, na verdade, era só uma defesa lógica para que eu não sentisse medo. E, hoje, resolvi assumir que, sim, estou com medo, e isso não me torna uma pessoa menor do que sou. Também resolvi assumir que, na verdade, não me arrependerei, mas devo ter a coragem de enfrentar todo o sofrimento que envolverá essa elaboração.
4. Por que sinto tanta dificuldade de me ver de uma outra forma? Há tantas pessoas que me enxergam como eu gostaria de ser, e se já o sou, por que não me aproprio disso?
5. Por que sempre acho que os Outros (olha o Lacan aqui mais uma vez) podem afetar os meus desejos, como se eles sempre estivessem fora do meu controle? E, mesmo que estejam, por que não posso (com)viver com isso?

Minha cabeça se divide a tentar responder estas duas perguntas. Se é que elas são passíveis de resposta por mim, neste momento.

Quando as coisas fogem do meu controle, é quando mais sinto angústia. E quanto mais angústia eu sinto, mais sei que estou perto de alguma descoberta que me modificará. Pelo que sinto hoje, estou no meio do caminho: sei que dias mais complicados virão pela frente, e me preparo heroicamente para encará-los.

Todo este caos não é nada além do que produto das minhas escolhas, e as escolhas nada mais são do que produtos de mim mesma.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Mente vs. Coração

Hoje estou dividida em duas. Posso ser um enorme coração apertado ou uma cabeça bem resolvida, e de certeza nenhuma me vanglorio além daquela de saber que nada posso afirmar.

A razão me diz que estou me tornando alguém maior, e que devo aproveitar o retorno de muito esforço feito. A razão também me diz que devemos sempre estar prontos para o que a vida pode oferecer, e que o que diferencia alguém ordinário de alguém extraordinário é a capacidade de aproveitar o que o Universo nos manda. A razão me mostra que estou cada vez mais perto de uma liberdade inigualável, tanto de mim em mim mesma, como de mim no mundo.

Mas, a emoção. Esta tem me devorado, como aconteceu durante muitos anos. A emoção me diz que eu vejo a mesma história se repetindo, e que mais uma vez desempenho nobremente meu papel em “O Patinho Feio”. A emoção também me diz que estou insegura e com medo de ter meu posto esquecido, substituído, traído, deixado de lado. A emoção me diz que estou sempre abaixo, sob a sombra, em segundo plano. Além da dor de perder pessoas muito queridas.

Não sei o que será de mim nesta experiência. Estou diante de uma imensidão realmente desconhecida. Não posso negar que estou assustada, e não sei se arrependida. Há tanto o que percorrer que só espero que o Universo tenha realmente entendido minhas mensagens.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Retorno, enfim

Parece que voltei a ser eu mesma, finalmente.
Andei até conseguindo escrever para o meu livro.
Meu coração está, enfim, descomprimido.

Tive vários insights nestes últimos tempos, e, o melhor, percebo uma grande diferença na minha maneira de perceber o mundo e de reagir a ele. Também está mais claro, para mim, o que preciso e o que realmente desejo como objetivo de vida.

Sinto como se houvesse nascido uma nova energia dentro de mim, muito mais determinada a agir para conquistar a minha essência. Depois de achar que eu havia chegado no fim do meu caminho, percebi que estou somente na metade dele, e o melhor foi sentir uma enorme vontade de continuar esta conquista.

Talvez eu consiga. Talvez não. Não é isso que importa.
O que me importa, hoje, é que tive vontade, quando achei que os meus desejos já tinham sido soterrados por pessoas sem dignidade.

Muito boa essa sensação de voltar à vida, e nova.

DREAM ON
Every time that I look in the mirror All these lines on my face getting clearer.
The past is gone, It went by like dusk to dawn.
Isn't that the way Everybody's got their dues in life to pay?
Yeah, I know nobody knows Where it comes and where it goes.
I know it's everybody's sin You got to lose to know how to win

Half my life's in books' written pages.
Live and learn from fools and from sages.
You know it's true, All the things you do come back to you
Sing with me, sing for the years,
Sing for the laughter and sing for the tears,
Sing with me, if it's just for today,
Maybe tomorrow the good Lord will take you away. (Aerosmith)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

a.ze.do

Como psicóloga (meio freudiana) meio lacaniana, hoje prestei atenção no meu próprio discurso:
“Acordei azeda hoje”, eu disse.


Achei interessante minha escolha pela palavra. Eu poderia ter dito amarga, amassada, mal humorada, cansada, mas escolhi azeda. Impossível eu não parar para pensar no real significado dessa escolha delicada e relevante.

Daí que...


a.ze.do
1. que tem um sabor ácido, que lembra o vinagre
2. que se tornou ácido pela ação de fermentação
3. característico de algo que fermentou.


… faz todo o sentido, para mim, pensar que algo fermentou. Faz tantos dias que prossigo com os mesmos sentimentos, os mesmos pensamentos, as mesmas tentativas de elaboração e as mesmas lutas comigo mesma que eu não aguento mais – mas, quem disse que tudo passa? Simplesmente não passa. Ainda, ainda, ainda.

Sinto, de fato, como se houvesse algo dentro de mim já saturado. A repetição me saturou por dentro. Tento me posicionar diferente nas situações, e assim quem sabe sentir que algo melhorou, mas mesmo estas tentativas já são por demais repetidas para que eu acredite que vá dar certo.

Percebo que já tomei uma série de decisões que vão trazer mudanças na minha vida, mas não depende de mim, neste momento, para que tais decisões se concretizem. E essa espera que parece não ter fim me mostra que, hoje, não vai mesmo ter um fim. E aí, fermento.

Estou cansada das pessoas ao meu redor. Presencio tanta arbitrariedade que mal posso acreditar que tudo seja consentido. Tanta burrice, incompetência, descaso. Tanto ridículo que as pessoas passam sem sequer perceber. Eu simplesmente detesto este mundo em que vivo: começo a arquitetar minha mudança de vida definitiva, com a esperança final de que, enfim, eu descanse.

Por dentro. Esse descanso parece impossível, hoje.

Faz tempo que não tenho tempo para mim. Digo tempo dentro da minha cabeça. Ela anda sempre ocupada com assuntos tão medianos, que sinto falta de quando eu era mais eu.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Why you in a such run away, girl?

Faz um tempo que venho sentindo uma vontade interminável de fugir. Ando pensando bastante em começar a fazer opções de vida mais saudáveis e naturais, e exercitar uma visão de mundo que quase ninguém consegue ter.

Mas, de repente, percebi que não é bem assim.
Percebi que, no fundo, estou somente querendo fugir de mim mesma.

Durante este mesmo tempo que estou pensando em ir embora de tudo isso, me senti desanimada e sem forças, e normalmente eu não sou assim. Mas, quando o que costumava me dar prazer não mais funcionou, foi um alerta de que alguma coisa estava errada comigo.
E está mesmo.

Tenho pensado muito em coisas tristes. Às vezes é muito difícil ser isenta em meio às tragédias, e mesmo o meu mecanismo de defesa já não tem funcionado como antes. Houve um tempo em que certos fantasmas me assombravam, mas, de uma forma ou de outra, eu sempre encontrava um consolo ou mesmo um refúgio. Eis que, de repente, eu percebo que o fantasma é muito maior do que era antes, e que a devastação que provoca em mim e na minha vida são irrefreáveis.

Houve um tempo que eu era convicta de minha força e da minha capacidade de regeneração, mas parece que este tempo faz tempo. Hoje só consigo pensar naquilo que pode levar minha felicidade para longe e para sempre.

Peço desculpas pela minha tristeza, mas, o que posso fazer? Juro que ando tentando ignorá-la, e juro que gostaria de conseguir.

“Happiness is only real when shared.”
Todos os dias peço que você seja eterno. Pelo menos você.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Pensamento Mágico

Eu entendo bem porque as crianças se utilizam do pensamento mágico para lidar com a realidade. Já faz algum tempo que eu bem que gostaria de ser uma criança bem pequena, naquela época que podemos fingir que estamos doentes só para poder ficar em casa.

Eu tento sempre ser a pessoa mais otimista possível. Se eu vejo alguém triste ao meu lado, corro para resolver isso – claro que estou falando das pessoas importantes da minha vida, para algumas pessoas eu simplesmente finjo que não percebo. Mas hoje, estou cansada. Fui o mais longe que eu podia, pelo menos por enquanto.

Quero que logo chegue o momento de comemorar minhas conquistas, de respirar aliviada, de poder sorrir sem aflição ou sem precisar disfarçar uma angústia. E quem dirá, então, sobre poder dormir em paz.

E tudo seria mais fácil se, ao meu redor, diariamente, houvesse pessoas melhores. Esses assuntos interminavelmente repetidos, interminavelmente tolos, e incansavelmente rasos. Não há como me refugiar em nada além de mim mesma.

Ando tão cansada que nem consigo mais produzir: faz tempo que não retomo meus livros, e meus posts tem sido mais “normais” do que eu estou acostumada. Mas, acho que não me importo. Não preciso ser artista, existencialista, super-mulher o tempo todo. Não preciso cair neste mundo de sustentar uma personagem, mundo que a maioria das pessoas que eu conheço não vive sem.

Já faz algum tempo que eu decidi viver sob a minha maneira de ver a vida e o mundo. Essa resolução de ser feliz, independente do que acontece ao meu redor, porque eu sempre me lembro de que as coisas são mais passageiras e vulneráveis do que eu posso acreditar. Mas não me faria mal nenhum se eu pudesse somente descansar.

Só por hoje. Só mais uns 5 minutinhos, e eu juro que já saio daqui.


“Que ninguém se engane. Só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.” (Clarice)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Exercício do Otimismo

Estou esperando por um pouco de sossego. Não sei ao certo quando poderei me sentir aliviada e confortável novamente, mas nada posso fazer além de ter um pouco de confiança no futuro.

Ainda não fui capaz de aproveitar as minhas conquistas. Creio que terei bastante tempo para comemorar: prefiro acreditar que posso comemorar de hoje em diante, e hoje me dar ao luxo de poder ficar um pouco triste, um pouco aflita, e me poupar da angústia de me culpar por ser angustiada.

E, realmente, as coisas por aqui estavam calmas demais, e esse não é o meu destino. Sou do tipo que precisa sempre de movimento para valorizar a paz, pois normalmente eu não consigo valorizá-la como eu deveria. Me acostumei com o tumulto que sempre me cerca, e também me acostumei a ver o silêncio como algo distante e parte do passado.

Eis que eu descubro que preciso, sim, deste silêncio novamente. Nem que seja com data para começar e terminar, mas meus músculos e pensamentos precisam de sossego, definitivamente. Não tem sido fácil lidar com tudo.

Espero impaciente pelo momento em que respirarei fundo e dormirei sem preocupações me incomodando nos sonhos. Ou pelo momento em que acordarei e me sentirei livre de tantos problemas, e poderei, enfim, sorrir.

Não é fácil exercer o otimismo. Para mim, angustiada como sou, ser otimista é uma tarefa árdua e que preciso vigiar o tempo todo, pois me derrubo fácil. Não sou das pessoas mais simples, e tem feito parte da minha complexidade ser uma otimista angustiada.

Paradoxos que são um prato cheio para a escrita.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dissolução do critério absoluto

Estou sentindo que um novo ciclo começou. Na verdade, é um ciclo que está naquele estágio intermediário entre o término de um e a renovação que virá com o próximo. Esta sensação já me proporciona alívio, e eu espero que continue assim.
Algumas mudanças e percepções se tornaram mais agudas e mais relevantes:

- A medida mais simples daqueles que estão próximos a nós, quando nos percebem com algum problema, é julgar que nos conhece bem. Deste julgamento, obviamente eles inferem conselhos e medidas que estão certos de que devemos seguir. Mas, na realidade, existem dois problemas: 1- você me vê através dos seus olhos, mas não vê o mundo através dos meus e 2- você tem medo de descobrir que eu não sou quem pensa que é.

- Daí me vem outra agudeza: o quão é difícil – senão impossível – que alguém se coloque propositalmente fora de sua zona de conforto. Mesmo que, neste fora, estejam belezas incondicionais de viver. Você achar que eu sou de uma determinada forma, e me fornecer determinados conselhos, é confortável para você, exclusivamente.

- Sempre achei que meus pensamentos são niilistas (às vezes, demais). Não entro no mérito se é uma qualidade ou não, hoje apenas monitoro se minha maneira de ver o mundo e as pessoas me fazem menos ou mais feliz. Mas, algo que percebi claramente, é que: me falta o essencial do início de uma revolução – a convicção. No ser humano, especificamente.

- Agora iniciei minha busca pela convicção. Já tive minha época de busca pelas respostas, e foi o momento em que percebi que a beleza é não ter respostas, nunca. Quem sabe o que me espera nesta próxima busca, e eu espero o melhor dela e de mim.

- Apreciar o inesperado é uma qualidade incrível, mas que se aplica com muita angústia. O coração se aperta, pois não sabe se será machucado no percurso. Requer um exercício não só prático, como de filosofia de vida. Destes exercícios me saem livros e flores.

- Não justificar-se-me. Eu, que estou acostumada, quase se torna uma resposta automática se estou desconfortável. Mas, acostume-se-me: são dias novos, e haverá posturas novas minhas a caminho. O que te deixa no ponto onde comecei: você sabe mesmo quem eu sou?

Como alguém poderia saber, se ainda não divulguei as respostas oficiais.
Como alguém poderia saber, se mesmo eu não acredito em respostas oficiais a esta pergunta.
Eu só peço do mundo que me deixe em paz com ele. E quieta.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ensaio do retorno

Suponha que sejamos livres: assim começou seu pensamento. E assim também ele parou. Havia tanta convicção de que er de fato, livre, que desistiu do resto da frase.
Suponha, então, que não sejamos livres: opa. Outro pensamento que terinou em seu início. Pois também sabe que nem sempre conseguimos exercer a liberdade.
E agora? Éramos ou não, livres?
Confuso, sabia que era. E também um pouco solitário. Na verdade, sua solidão era ferramenta para o exercício da liberdade: era muito raro sentir-se bem ao lado de outras pessoas.
E, se a liberdade existe, é algo interno. É uma divisão que especifica quais escolhas foram tuas, e quais escolhas foram minhas. Nada mais é que o exercício do discernimento: o que vem de fora nos atinge, de uma forma ou outra.
Então, ele dissipo um pouco da atenção. Ao seu redor, ecoavam assuntos tão banais, de existências tão comuns. Existências tão não-livres. Estava cansado dos pseudo-livres. Eles tinham a falsa sensação de pertencer a um nível mais elevado de vida.
Na sua frente, havia uma muher escolhendo o nome e o signo de seu filho. Impossível não rir disso.
Para ele, era cada vez mais difícil viver em um mundo de escolhas tão óbvias.
Será que era possível escolherema liberdade?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O volume da música

Aumento o volume da música e confirmo que os fones estejam bloqueando o som que vem de fora.
Não quero escutar nenhum som além dos meus e dos seus.
Eu bem que poderia participar dos assuntos, pois em todos eles tenho uma opinião ou uma história a dizer, mas eu simplesmente desisti. Não acredito mais que eu possa open a mind. Não acredito mais que as pessoas possam ter maior amplitude.
A música que ouço avança dentro de mim como nada mais é capaz.
São palavras de quem talvez faça parte da mesma realidade que eu, e o único contato que tenho contigo é desconhecido e abstrato.
Isto faz parte das minhas melhores relações com pessoas: distância e abstrato.
Eu queria, pelo menos por um momento, sentir que há possibilidades de transformar as conversas, os pensamentos, as opiniões dos outros em riqueza.
Queria sentir que existem pessoas que podem ser autênticas, diferentes, revolucionárias, e que fosse possível reunir identidades inteligentes e realmente originais e iniciar uma mudança: de postura, de relação, de visão. Mas eu só conheço eu e você, e por mais que sejamos totalmente fora da curva, somos pouco diante da força que a ignorância pode ter.
Há quem deva me achar mau humorada. Eu não me importo. Há quem deva me achar estranha. Eu até mesmo gosto e prefiro que as pessoas percebam que eu sou diferente e não faço parte do pequeno mundo em que elas vivem.
Eu posso bem mais do que tenho hoje. Me vem esta vontade incontrolável de querer operar uma grande mudança em minha vida – mas fique tranqüilo, que você fará parte de toda e qualquer mudança de planos que eu esquematize.
Vamos encontrar lá fora a harmonia para essa música que eu escuto.
Deve existir algum lugar no mundo para pessoas como nós. E, neste lugar, ou faremos uma revolução ou teremos, enfim, sossego. Ou me exerço de vez, ou me recolho de vez – é este meio termo comum que me mata aos poucos.
Poderíamos criar uma realidade totalmente nossa, e que fosse coerente com a música.
Ah, a música. Existe ressonância entre eu e ela, e eu e você. Para mim, basta isso, e então sou feliz e calma. Inacreditavelmente à vontade para ser eu mesma.
Você é o meu lugar no mundo.
Vai ver que meu alter ego é para ser uma música: distante e abstrata. Ah, mas isso eu já sou.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Os ângulos

Não sei mais o que saiu errado. Não consigo identificar de onde vem essa minha sensação de desassossego, ou este embrulho estranho no estômago. É uma sensação de desvio, como se algo tivesse acontecido e só eu não estivesse sabendo.

Tão complicado ser feliz. Essa felicidade que depende ou demanda que outras pessoas caminhem para o mesmo lugar, e tenham os mesmos desejos, que sejam muito parecidas – pois não consigo acreditar que a felicidade possa ser construída por pessoas opostas.

Não encontro semelhantes. Eu que sou estranha, ou os outros que são muito comuns?

E nesta dificuldade de ser feliz, me sinto muito só. Com quem contar ou para quem contar os meus conflitos que, para início de conversa, são sempre muito repetidos e, depois, são sempre complicados demais para que eu consiga explicar.

Às vezes eu só quero uma palavra boa. Mas parece que o preço que sempre pagarei por ser assim é receber como retorno baldes seguidos de água fria. Tanta dificuldade em ser gentil. Não é justo: as pessoas me tomam como alguém de um ângulo só, sendo que tenho dezenas deles.

A partir de hoje, excluo da minha vida quem não conhece ou respeita estes meus vários ângulos. Não é justo com a minha vida me decepar assim, ou me sujeitar a certas situações. Não é justo que as pessoas me tomem por um outro comportamento que apresento, sem considerar o todo. Porque é isso que acontece.

Gosto de pessoas que me agreguem. Falar o que eu já descobri me desmotiva.
E o que eu não consigo descobrir, quem pode me ajudar?
Convido a todos que quiserem uma visão diferente da vida e do mundo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Gayatri Mantra

Nunca fui uma pessoa religiosa, e acho que nunca serei. A religião pode ser muito limitadora da capacidade de criar o mundo e criar um ser autêntico e pleno. Por outro lado, acredito em filosofias ou doutrinas de vida, que são mais filosóficos e concentuais, dando abertura para o pensamento e para a crítica. Assim, eu crio a minha filosofia, e alcanço o que eu determino que deva ser alcançado - no caso, o moksha.
O meu filme preferido é A Fonte da Vida. Lá está explicado tudo no que eu acredito, e tem as imagens que busco na minha vida. Ótimo não precisar descrever tudo.

Minha nova tatuagem e sua representação:
We meditate on the glory of the Creator
Who has created the Universe
Who is worthy of Worship
Who is the embodiment of Knowledge and Light
Who is the remover of all Sin and Ignorance M
ay He enlighten our Intellect.

om tat savitur vareNyaM
bhargo devasya dhîmahi
dhiyo yo nah prachodayât

"Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protetora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência. No entanto, esotericamente ela representa o potencial de expressão da mente humana. A palavra Gayatri é composta de duas palavras:Gaya= Florescer, abundar, energizar (vitalizar), energia vital.Trâyate =o que protege; o que concede a liberação."

Empatia

Existem certas coisas que mexem muito comigo.
Faz tempo que venho pensando em empatia. Andei reparando que a falta dela é o que desencadeia uma série de outros comportamentos que comprometem o viver bem neste mundo. A começar que ter empatia significa uma ausência de si mesmo no entendimento dos problemas e sentimentos do outro. Claro que uma ausência total é impróvável e impossível, mas uma delicada ausência de julgamentos ou de conceitos faz a diferença no coração do outro.
Digo por experiência própria: ainda mais quando se é diferente e estrangeiro ao mundo.
Quando Harvey Milk diz no filme à multidão revoltada "I know you're angry", ele estava falando também comigo, por mais que eu estivesse fisicamente e cronológicamente distante daquela realidade. Eu sinto muita raiva quando as pessoas não são compreendidas, quando elas são julgadas e quando elas são conceituadas por aqueles que nem sequer fazem parte do mesmo mundo. Tive vontade de exercer meu lado ativista que sempre existiu, mas de uma forma tímida e meio sem objetos.
Pode-se resolver uma série de problemas apenas tendo empatia. Penso naquelas pessoas mal educadas, andando apressadas na rua, levando o que aparece pela frente, incapazes de dar um sorriso: se elas fossem capazes de serem empáticas, elas lembrariam que aqueles que elas ofendem gratuitamente na rua também vivem, como elas.
A empatia nos traz esse direito de sermos gentis, e esse poder de fazer o dia algo bom.
Mas, me parece que essa característica é algo muito evoluído, e que estamos muito distantes de conquistá-la.

Eu me acho assim estranha porque ninguém jamais conseguiu sentir empatia pelos meus problemas mais complicados, ou por não entender as minhas filosofias de vida. A esta altura do campeonato, a minha posição é: !

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Fitter Happier

Fitter, happier, more productive, comfortable, not drinking too much, regular exercise at the gym (3 days a week), getting on better with your associate employee contemporaries, at ease, eating well (no more microwave dinners and saturated fats), a patient better driver, a safer car (baby smiling in back seat), sleeping well (no bad dreams), no paranoia, careful to all animals (never washing spiders down the plughole), keep in contact with old friends (enjoy a drink now and then), will frequently check credit at (moral) bank (hole in the wall), favors for favors, fond but not in love, charity standing orders, on Sundays ring road supermarket (no killing moths or putting boiling water on the ants), car wash (also on Sundays), no longer afraid of the dark or midday shadows nothing so ridiculously teenage and desperate, nothing so childish - at a better pace, slower and more calculated, no chance of escape, now self-employed, concerned (but powerless), an empowered and informed member of society (pragmatism not idealism), will not cry in public, less chance of illness, tires that grip in the wet (shot of baby strapped in back seat), a good memory, still cries at a good film, still kisses with saliva, no longer empty and frantic like a cat tied to a stick, that's driven into frozen winter shit (the ability to laugh at weakness), calm, fitter, healthier and more productive a pig in a cage on antibiotics. Radiohead

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A bolha

Esqueci minha bolha em casa. Deveria tê-la trazido e me tornar invisível, pelo menos neste início de manhã. Minha bolha que é à prova de som, à prova de conversas inúteis, à prova deste mundo.
É sempre igual, os assuntos se repetem nesta sucessão interminável de vidas normais demais. Hoje não quero escutar essas conversas vazias, de gente mal-resolvida e comum. Não há nada de novo neste cotidiano.
Acho que esqueci as pessoas interessantes do mundo dentro da bolha, também. Eu deveria ter me esquecido lá, e ter me esquecido de acordar.

As manhãs são sempre muito difíceis, como se eu precisasse me descongelar, ou me refazer.
Tenho certeza de que você, meu amor, ficaria comigo lá. Somos parte da mesma matéria, afinal. Gostaria de vê-lo por aqui para me lembrar de que o autêntico existe.

Estou cansada de clichês.

 
AT Wireless
Cell Phones