

Deixa eu ser feliz só um pouquinho, Universo, só um pouquinho, vai, por favor...
"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."
Estou sentindo que um novo ciclo começou. Na verdade, é um ciclo que está naquele estágio intermediário entre o término de um e a renovação que virá com o próximo. Esta sensação já me proporciona alívio, e eu espero que continue assim.
Algumas mudanças e percepções se tornaram mais agudas e mais relevantes:
- A medida mais simples daqueles que estão próximos a nós, quando nos percebem com algum problema, é julgar que nos conhece bem. Deste julgamento, obviamente eles inferem conselhos e medidas que estão certos de que devemos seguir. Mas, na realidade, existem dois problemas: 1- você me vê através dos seus olhos, mas não vê o mundo através dos meus e 2- você tem medo de descobrir que eu não sou quem pensa que é.
- Daí me vem outra agudeza: o quão é difícil – senão impossível – que alguém se coloque propositalmente fora de sua zona de conforto. Mesmo que, neste fora, estejam belezas incondicionais de viver. Você achar que eu sou de uma determinada forma, e me fornecer determinados conselhos, é confortável para você, exclusivamente.
- Sempre achei que meus pensamentos são niilistas (às vezes, demais). Não entro no mérito se é uma qualidade ou não, hoje apenas monitoro se minha maneira de ver o mundo e as pessoas me fazem menos ou mais feliz. Mas, algo que percebi claramente, é que: me falta o essencial do início de uma revolução – a convicção. No ser humano, especificamente.
- Agora iniciei minha busca pela convicção. Já tive minha época de busca pelas respostas, e foi o momento em que percebi que a beleza é não ter respostas, nunca. Quem sabe o que me espera nesta próxima busca, e eu espero o melhor dela e de mim.
- Apreciar o inesperado é uma qualidade incrível, mas que se aplica com muita angústia. O coração se aperta, pois não sabe se será machucado no percurso. Requer um exercício não só prático, como de filosofia de vida. Destes exercícios me saem livros e flores.
- Não justificar-se-me. Eu, que estou acostumada, quase se torna uma resposta automática se estou desconfortável. Mas, acostume-se-me: são dias novos, e haverá posturas novas minhas a caminho. O que te deixa no ponto onde comecei: você sabe mesmo quem eu sou?
Como alguém poderia saber, se ainda não divulguei as respostas oficiais.
Como alguém poderia saber, se mesmo eu não acredito em respostas oficiais a esta pergunta.
Eu só peço do mundo que me deixe em paz com ele. E quieta.
Aumento o volume da música e confirmo que os fones estejam bloqueando o som que vem de fora.
Não quero escutar nenhum som além dos meus e dos seus.
Eu bem que poderia participar dos assuntos, pois em todos eles tenho uma opinião ou uma história a dizer, mas eu simplesmente desisti. Não acredito mais que eu possa open a mind. Não acredito mais que as pessoas possam ter maior amplitude.
A música que ouço avança dentro de mim como nada mais é capaz.
São palavras de quem talvez faça parte da mesma realidade que eu, e o único contato que tenho contigo é desconhecido e abstrato.
Isto faz parte das minhas melhores relações com pessoas: distância e abstrato.
Eu queria, pelo menos por um momento, sentir que há possibilidades de transformar as conversas, os pensamentos, as opiniões dos outros em riqueza.
Queria sentir que existem pessoas que podem ser autênticas, diferentes, revolucionárias, e que fosse possível reunir identidades inteligentes e realmente originais e iniciar uma mudança: de postura, de relação, de visão. Mas eu só conheço eu e você, e por mais que sejamos totalmente fora da curva, somos pouco diante da força que a ignorância pode ter.
Há quem deva me achar mau humorada. Eu não me importo. Há quem deva me achar estranha. Eu até mesmo gosto e prefiro que as pessoas percebam que eu sou diferente e não faço parte do pequeno mundo em que elas vivem.
Eu posso bem mais do que tenho hoje. Me vem esta vontade incontrolável de querer operar uma grande mudança em minha vida – mas fique tranqüilo, que você fará parte de toda e qualquer mudança de planos que eu esquematize.
Vamos encontrar lá fora a harmonia para essa música que eu escuto.
Deve existir algum lugar no mundo para pessoas como nós. E, neste lugar, ou faremos uma revolução ou teremos, enfim, sossego. Ou me exerço de vez, ou me recolho de vez – é este meio termo comum que me mata aos poucos.
Poderíamos criar uma realidade totalmente nossa, e que fosse coerente com a música.
Ah, a música. Existe ressonância entre eu e ela, e eu e você. Para mim, basta isso, e então sou feliz e calma. Inacreditavelmente à vontade para ser eu mesma.
Você é o meu lugar no mundo.
Vai ver que meu alter ego é para ser uma música: distante e abstrata. Ah, mas isso eu já sou.
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