Não acredito que nada disso valha a pena. Só sei me perguntar o porquê de todas estas coisas, tão vãs, tão sem levar a lugar algum. Não encontro a necessidade das coisas serem do jeito que estão, tudo deveria ser tão diferente! Tanto acontecendo lá fora da vida e tanto sendo encerrado: sinto que estou enjaulada e superaquecida, fervendo por dentro sem nenhuma boa razão para isso. Uma vida inteira pela frente e pelo presente a ser dispendida, não quero mais prorrogar o momento de minha felicidade genuína. Genuinamente minha, sem preâmbulos, sem espera. sem desgaste, sem problemas imbecis - tudo como a vida me pede desesperadamente que seja, e que seja logo, e que seja agora, pois estou perdendo minha essência neste tempo que passa branco. Não gosto das coisas brancas, prefiro tudo colorido. E tudo me é por demais precioso para eu simplesmente assistir tudo passando pelas minhas costas.
Eu preciso de um espaço para conseguir respirar. Uma daquelas inspirações que venham bem lá do fundo, chegando devagarinho e abrindo espaço fresco neste percurso. Um espaço que cheire a perfume, espesso e cor-de-rosa, macio, onde dá para se deitar. Deitar e dormir: a minha medida de não-angústia é a minha capacidade de conseguir dormir bem, o que é raro e frio nestes últimos dias. Preciso inspirar e expirar com muita força, sentindo que tudo o que é poluído está saindo, saindo, saindo... limpando por dentro até que reste apenas o que é meu, e tem muita coisa ocupando espaço aqui dentro que, definitivamente, não me pertence.
Cavando buracos leves, flores.
Cavando buracos leves, flores.
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