Quando fico muito tempo pensando nas pessoas ao meu redor (sejam elas próximas ou não), me pergunto o que elas esperam. Sim, pelo o quê exatamente gastam seu tempo esperando. E por quê somente esperam, como se a felicidade caísse do céu, dentro de uma caixa, endereçada a elas e já pronta. Como se não fosse necessário construir a felicidade minuto a minuto - ou como se construir a felicidade envolvesse destruir-se (aos poucos, imperceptivelmente, no dia-a-dia, na rotina, no trabalho, bem aos poucos). E também fico pensando se só eu sinto as horas passando, se só eu me pergunto onde as horas levam. E se só eu chego à conclusão de que elas não levam a nenhum lugar, mas nenhum mesmo: não existe nada a esperar, tudo está exatamente aqui onde estamos. Exatamente aqui. Embaixo dos nossos pés. Mas não acho que ninguém perceba as coisas dessa forma, vejo todos se (des) gastando nesta interminável espera por algo mais, este algo mais que está sempre mais a frente, sempre depois. Como se fosse possível prever quando acabam as horas, ou quando elas resolvem nos dar atenção: tudo é tão frágil, tão sensível, e tão inesperado - pra que esperar então? Se as horas acabam, sempre acabam.
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