quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

*suspiros*


Deixa eu ser feliz só um pouquinho, Universo, só um pouquinho, vai, por favor...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Constância

Que minha vida anda um caos, não é nenhuma novidade, mas foram justamente as situações provocadas pelo caos que me levaram de volta ao passado, e me fez refletir em várias questões.

Havia sete anos não via uma amiga X. Nos reencontramos. O sentimento está intacto, e a amizade, renovada.


Havia seis anos que não passava por algumas ruas do bairro antigo. Me despertou a lembrança de uma vida toda passada ao lado de outra pessoa, que tanto contribuiu para preencher os vazios que tinha na época. Senti vontade de um reencontro, somente para saber como a vida continuou agindo daquele lado de lá do mundo.

Havia anos que as pessoas não estavam mais onde estiveram, mas o meu coração dispara do mesmo jeito ao me aproximar.

A mobília, o meu antigo quarto, meus antigos objetos de decoração (que hoje nada tem a ver com a pessoa que me construí), as louças, a casa, os cômodos: tudo está como sempre foi. E, então, senti um pequeno afrouxamento no meu coração:

“Então havia partes do mundo que não foram destruídas!”

Esta sensação de solidez, de constância, de permanência, me fez bem. Quer dizer que nem tudo desmorona, quem diria. Quer dizer que eu tenho um lugar intacto para onde posso ir de vez em quando e, me apoiando nesta estrutura ao redor, posso tentar me recuperar.

Também refleti em como está meu coração, hoje: inflamado, com pus, alguns cortes, esfolações em carne viva, inchado, ultra sensível. De olhar, ele dói. Como um enorme machucado que não conseguimos encostar para tratá-lo.

Não sei o que faço com meu coração. Há quem diga: aceita. Há quem diga: ignore.

E eu, o que digo? Digo isso:

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Sol

O mundo parece inteiramente fora do lugar. Acho que é a tua ausência que provoca esta desordem: os meus motivos para estar viva, tão claros a mim antigamente, hoje, simplesmente, não existem. Acordar diariamente sem este ânimo quase é impossível, e chego a me questionar constantemente se vale a pena continuar por aqui.

Esta saudade. Um coração tão cheio de memórias, e cada uma delas lateja, a cada olhar ao redor, a cada música que toca, a cada rua que passo, a cada assunto que emerge. O mundo costumava ser tão colorido, tão quente, e tão acolhedor.

Enfrento a solidão, o pânico, a dor, a saudade, o coração partido, os sonhos desaparecidos. Uma pequena menina diante de um exército. Mas, ainda assim, ainda que eu tropece, ainda que eu esteja esburacada, acredito que sou forte, pois minha única alternativa é sê-lo. Sofrer por amor, realmente, é uma das maiores tragédias que existem.

E, hoje que tudo é cinza e sem sentido, me pergunto quando as cores irão voltar. Meu coração, quando irá cicatrizar, porque perder um grande e divino amor parece não ter cura, nem solução, nem nada que nos faça esquecer.

Não irei mesmo esquecer, aquele que sempre foi o Sol da minha vida. Eu orbitava ao teu redor, completamente entregue. Lembra?
Talvez não.

Há roupas que não consigo usar, lugares que não consigo ir, assuntos que não consigo falar, memórias que preciso evitar. Tudo isso apenas para continuar existindo. Nem falo em viver, pois isto está um pouco fora de cogitação.

Já viu o que acontece em um planeta sem Sol.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Calma




Cada um com seu Deus. Este é o meu.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Dia Exaustivo em 3 Partes

Hoje meu dia foi exaustivo. Me parece que não importa quanta força eu faça, é sempre pouco diante do que preciso enfrentar.

Parte 1. Solidão
Foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha. Escolhi logo um domingo, e logo o final do ano para enfrentar a minha solidão, o que multiplica em três o número de pessoas ao meu redor. Conforme eu olhava, e via casais andando de mãos dadas ou mesmo famílias unidas, sentia um nó em meu coração como se ele fosse deixar de existir. No entanto, eu tinha feito uma promessa comigo mesma de que iria enfrentar esse meu fantasma, e continuar fazendo as coisas de que gosto, mesmo que não tivesse ninguém com quem compartilhá-las.

Só me senti mesmo confortável quando estava dentro da sala do cinema, no escuro, e foi então, que eu pude, enfim, chorar. Chorar a minha condição: olhar ao lado e não ver quem sempre esteve ali arrancou mais um pedaço de mim. Mas eu tinha que ser forte: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Quando chorei durante o filme, foi o único momento que gostei de estar sozinha. Quem visse de fora, talvez me achasse uma adolescente apaixonada. Por dentro, eu sentia uma dor dilacerante, arrancando mais e mais pedaços de mim. Mas eu tinha que ser forte: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Desejei que o filme nunca mais acabasse. Tive medo de sair dali, medo de ter que enfrentar a minha situação, medo de encarar que jamais acordarei deste pesadelo. A dor subia pela minha garganta de minuto em minuto, e tive que ser forte para não ter uma crise de choro ali mesmo. Seria constrangedor demais.

Parte 2. Pânico
Sentir minha dor faz com que eu me sinta desprotegida. Deixo sempre para senti-la quando estou em casa, pois a sensação é de que morrerei com um golpe de ar. Hoje, não tive como evitar, e meu sofrimento apareceu ali mesmo. Isso me despertou aquele sentimento de criança que tenho, abandonada e absurdamente frágil.

Dentro do meu peito, meu coração acelerava, e eu já sabia o que estava por vir. Conheço tão bem esse suor frio que percorre as minhas costas. Quando pensei que você não estava ali para me proteger, desejei com toda a minha alma que eu simplesmente morresse, ali mesmo. Mas eu tinha que enfrentar o pânico e tinha que enfrentar a dor, ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo.
Juro que achei que ia enlouquecer.

Respirei o mais fundo que pude e fingi para mim mesma, por cinco minutos, que havia esperança para mim. Que ainda poderei ser feliz. E que não precisarei me acostumar com a solidão pois ela não é a minha sina. Mais uma vez: enxuguei as lágrimas e engoli o soluço.

Parte 3. Abrigo
Agora, em casa, sinto os meus músculos doendo, tamanho o estado de tensão que fiquei neste tempo todo. Me preparei uma comida gostosa, e reservei alguns pequenos prazeres para mais tarde. Não posso me distrair por um segundo, que vem a dor chegando mais uma vez, e arrancando muitos pedaços de mim. Me pergunto como ficarei de pé, assim esburacada como estou. Assim sem nenhuma sustentação.

Aqui em casa, pelo menos, não preciso enxugar lágrimas nem engolir soluços. Não posso, e isso sim é difícil, deixar me levar pelo meu estúpido coração.

Eu quero, de verdade, desaparecer.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Frase do Dia

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice Lispector

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Buraco

Eu não descreveria melhor o que ando sentindo:

"Eu era uma concha vazia. Como uma casa vazia, por meses sem ninguém - uma casa condenada - eu era completamente inabitável. Agora havia algumas melhorias. A sala da frente estava em reforma. Mas era só isso - só um cômodo pequeno. ... Nenhum investimento poderia me tornar funcional novamente."

"... de novo eu tinha problemas com o buraco idiota no meu peito. Mantive os braços cruzados no peito, firmes, e tentei banir a dor dos meus pensamentos."

"Esse futuro se perdera para sempre e nunca estaria ao meu alcance. Lutei para recuperar o controle enquanto o buraco em meu peito doía, oco."

"O vazio completo de minha vida despertou e me confrontou. A solidão sufocava minha garganta."

"Vesti o pijama e me arrastei para a cama. A vida parecia tão sombria naquele momento que me permiti trapacear. O buraco - agora os buracos - já doía, então, por que não? Invoquei a lembrança - não uma lembrança real que doesse demais, mas a falsa lembrança - e brinquei com ela mentalmente até que dormi, com as lágrimas ainda rolando devagar por meu rosto vazio."

"Quanto mais você ama alguém, menos tudo faz sentido."

"Eu era viciada no som de minhas ilusões."

"... nenhuma dessas preocupações tão reais, tão prementes e tão merecedoras de minhas reflexões conseguia afastar minha mente da dor em meu peito por muito tempo."

"O buraco inflamara nos últimos dias, as bordas ardiam."

"Mas estava vazia. Seus olhos eram inexpressivos. Ela não ouvia mais música. Ela estava evitando tudo que podia lembrá-la dele. ... Não é como se alguém a tivesse deixado, era como se alguém tivesse morrido.
Era mesmo como se alguém tivesse morrido - como se eu tivesse morrido. Porque foi mais do que apenas perder o mais verdadeiro dos amores verdadeiros, como se isso não fosse o bastante para matar alguém. Também foi a perda de todo um futuro, de toda uma família - de toda uma vida que eu escolhera."


"Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e continuar batendo? ... eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma única palava pudesse me despedaçar."

"Eu podia sentir o fantasma do buraco, esperando para se abrir de novo assim que ele desaparecesse. Não havia como sobreviver dessa vez."

"O rasgo em meu peito se abriu, e a dor foi de tirar o fôlego."

"Era como se meu coração não estivesse ali, como se eu estivesse oca. Como se eu tivesse deixado com você tudo o que havia aqui dentro."

"... eu já deixara de tentar viver uma semana de cada vez, ou mesmo um dia. Lutava para suportar uma única hora."

Talvez ela devesse ter tentado se adaptar aos pedaços de vida que restaram.
Talvez fosse o mais perto que ela chegaria da felicidade.

(Stephenie Meyer)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

I just need a little light

"Stay alone in my room Every moment passing too soon Watch the candles burn into the night Fall into a dream Wake up and everything´s the same
A second older but alone just like a child
If you just give me a sign To live and not to die
Then i could see a little light I could find some piece of mind
I don´t know where you are Maybe near or maybe far
I just need a little light
Hear a clock ticking On a life that could have meaning
If i could find the love light in your eyes
See a million people Everyone´s so lonely
But we don´t have to be alone tonight
Then i could see a little light I could find some piece of mind
I don´t know where you are Maybe near or maybe far
I just need a little light
Stay alone in my room Every moment passing too soon
Watch the candles burn into the night"

A dor não diminui nunca, não regride sequer um centímetro. Quando penso que talvez ela esteja me deixando - nem que seja por um momento curto - eis que a sinto novamente esmagando meu peito. O que me resta é encontrar meios de não tocar nesta dor, me preservando um pouco da destruição completa, e então adquiri esse torpor.

Tenho duas opções, hoje: a dor imensa, ou o nada. Tenho escolhido o nada, com muita força de vontade, e lutado constantemente para continuar neste nada. Que vida medíocre, a minha: o máximo que consigo obter é nada. E pesar que já fui tão feliz.

Olha a dor, vindo novamente, sem piedade. Até paro de escrever e procuro me distrair com qualquer banalidade.

O pior vem na hora de dormir. Meu maior desejo, e meu pedido constante, tem sido dormir para nunca mais acordar. Não encontro propósito nenhum em continuar aqui: por quem, ou para quem? O rumo das coisas segue sem mim, e segue, principalmente, alheio aos meus desejos. E, quando durmo, desejo que eu pelo menos não sonhe, porque certamente verei teus olhos, e sentirei a dor vindo, mesmo dormindo. Porque ela vem sem dó. E, ao acordar, conforme minha mente vai se lembrando de tudo que está acontecendo, meu peito se espreme, meu coração seca e sinto como se nem alma tivesse.

Estou oca. Um buraco enorme e ferido. Como dói. E continuo me sentindo muito só.
Não há ninguém aqui, como sempre. Vai ver que eu estava certa quando dizia que meu destino é ser sozinha.

Suspiro. E penso no quanto preciso de colo. E de ajuda.
Até onde conseguirei ir?
E por que eu deveria continuar?

Não me lembro qual foi o último dia que não chorei. Faz parte da minha rotina, como checar e-mails, tomar banho, comer. Olha a dor chegando mais uma vez - sinto tanto medo. Estou assustadíssima. É pior do que morrer, viver assim, não é vida. Todos os dias eu peço por um milagre, um alívio, algo que me faça pelo menos menos infeliz. E eu queria poder ter um dia de descanso, um dia que eu não precisasse temer meu desmoronamento.

Aconteceu comigo o que eu mais temia. E agora?
 
AT Wireless
Cell Phones