quinta-feira, 3 de abril de 2008

Do you know the things that I can do?

“the lights came on fastlost in motorcrashgone in a flash unreal but you knew all alongyou laugh the lightI sing the songs to watch you numbI saw you thereyou were on your wayyou held the rainand for the first time heaven seemed insanecause heaven is to blame for taking you awaydo you know the way that I can?do you know the way that I can't lose?do you know the things that I can?do you know the things that I can do?where is your heart? where is your heart gone to?tear me apart tear me apart from youyou laugh the light I cry the wound in gray afternoonsI saw you thereyou were on your wayyou held the rainand for the first time heaven seemed insanecause heaven is to blame for taking you awaythe lights came to passdead opera motorcrashgone in a flash unreal in nitrous overcastdo you know the way that I can?do you know the way that I can't choose?do you know the things that I can?do you know the things that I can't lose?tear me apart tear me apart from youwhere is your heart? where has your heart run to?”
Tear - Smashing Pumpkins

Gosto muito dessa música porque ela me traz alguma coisa de sofredora solene. Como se este sofrimento fosse o último e mais bonito que se pode ter. Como se se chegasse a um momento de iluminação.

Dias desses passei por maus bocados: foram séries e séries de elaborações, e, apesar da angústia e da dificuldade, eu sentia que estava chegando onde deveria, e que, daquele ponto em diante, eu poderia modificar ainda mais o meu mundo e o que não aprovo nele.

Minha grande e amada sis me disse essa frase: “transformando o gozo sofredor em arte.” Foi um grande alívio encontrar esta verdade – e, a parte mais estranha da história é que eu já havia passado por essa parte do meu caminho, há anos, e hoje me vi novamente passando por ele. Andei em círculos?, pensei. A verdade é que: não. Hoje sou uma pessoa totalmente diferente, e sinto que passei novamente pelo mesmo lugar para apreender coisas que eu não tinha percebido ainda. Estou maior e vejo a paisagem mais de cima hoje.

Também percebi que não posso me angustiar por ser angustiada – desejar não desejar. Disso sai minha fonte de idéias, e eu preciso saber manter esta fonte. Com serenidade – porque hoje quero uma vida mais tranqüila.

Palavras, apenas palavras. A minha mudança de posição no mundo me diz mais que isso.

Curioso que, bem neste momento, de descobertas e re-descobertas, e de encontros com conteúdos do passado, tem sempre esta figura que ressurge. Ressurge como quem pede, como quem anseia, mas não como quem oferta. E aproveitei para rever a minha posição nesta situação: percebi que continuará a mesma, seja por convicção, seja por deficiência de coração, mas nada mudará – ninguém tem o direito de destruir meu mundo, depois que me refiz e desfiz para arrumá-lo como pude. Certas ausências jamais são repostas, e minha essência já está por demais acostumada com buracos – não preciso preenchê-los com qualquer coisa, de qualquer jeito, para ser feliz. Deste sofrimento sei eu, pois nunca o dividi com ninguém.

Penso que é difícil pensarmos na nossa implicação nas nossas escolhas. Aquilo que renunciamos sempre deixa marcas pelo caminho. Eu tenho as minhas marcas, mas não me arrependo da minha escolha: o grande problema sempre foi não ter ao que renunciar – nada me foi oferecido, e isso me desobriga de qualquer sentimento por você.

Não sou de me contentar com migalhas. Porque não me dou em migalhas a quem gosto.
Também não sou de mentir e nem de me ausentar. Nada é mais confuso que uma ausência mal colocada. Nada é mais perturbador do que perceber uma falta – antes fosse uma presença incômoda. Ao menos se teve – e quando não se tem, o que fazer?

Cada um que pense nas conseqüências. Não sou de facilitar a vida. Gosto mesmo é de complicá-la, para ter mais, e melhor. E acontece o que sempre previ: a própria vida se encarrega de explicar o que foi feito de errado .

Um desabafo em hora apropriada. Muita coisa acontecendo, indo para o lugar.

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