quinta-feira, 3 de abril de 2008

03/08/2006

Desânimo é uma coisa muito curiosa. É como se todas as células do corpo fossem perdendo água pouco a pouco e se encolhendo, se retraindo até ficarem murchinhas, um pouco ressequidas, e até descascassem de vez em quando. Sinto todo o meu corpo pesando para baixo, curvando os ombros e a cabeça, deixando meu pescoço dolorido e com cãimbras por todo o lugar. Desânimo é como um tédio prolongado, um tédio que não se resume em um instante - de espera, de ócio, de desinteresse - mas que se prolonga por todos eles juntos e consecutivos... rapidinhos, um atrás do outro, numa sucessão que parece interminável. Este é o problema, parece interminável! Daí para o desespero talvez seja um passo, ou dois... Que seja, suportar este peso que vem de mim mesma me dá a sensação de estar passando por uma experiência, sei lá, existencial, porque se torna tão complicado que minha cabeça pifa. Ah, uma pane geral, aos gritos e tropeços. Elas não existem de fato, mas é como se houvessem olheiras profundas em meu rosto, deixando vincos e rachadurinhas finas sobre a pele, me entregando a uma inconveniente sensação de velhice - esta é a atemporalidade dos fatos: posso ser velha nessas horas.

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