- Não sei o que preciso para ser feliz.
- Sei o que preciso para ser feliz, mas não como encontrar.
Encontrar a felicidade realmente não é tarefa fácil. Nem deve ser. Qual a graça que a vida teria se não fossem os caminhos complicados que precisamos seguir até o delicioso Encontro, e qual a graça deste Encontro se não fosse as dificuldades de se chegar até ele.
Será que o País das Maravilhas seria maravilhoso para a Alice sem todas aquelas aventuras?
Com certeza o coração sofreria menos se pudéssemos ter pacotes prontos de felicidade – ou melhor, estes pacotes até existem, e às vezes até tentamos levá-los para o nosso mundo, mas nós não somos moldes prontos que recebem fórmulas prontas de felicidade. Ou de relacionamentos. Não somos todos iguais, logo, não podemos exigir que saibamos todas as respostas.
Há momentos que simplesmente não sabemos o que nos faz felizes. E quem disse que isso é ruim? Eu encaro como um mundo de possibilidades, boas e ruins. Este mundo de possibilidades que nos leva a conhecer quem somos de fato, e montarmos nós mesmos nosso pacote, customizado, não pré-fabricado, longe de expectativas irreais e que só se concretizam em filmes.
Me incomoda os conceitos de mulher. A mulher-casada, a mulher-sexy, a mulher-que-trabalha, a mulher-mãe. E quem me disser que eu não posso escolher ser isso tudo, ou ser nada disso, comprará brigas das feias comigo. Eu não sou do tipo que faz as escolhas óbvias e completas de fábrica. E, exatamente por isso, sou feliz. Me sinto uma ovelha negra por ser feliz – que mundo estranho nós vivemos. Mundo que estranha o incomum. Tanta criatividade e tantas possibilidades jogadas fora. Eu hein.
Me incomoda também os conceitos de relacionamento. O que é perfeito, o que é esperado, o que não pode, o que pode. Ainda mais quando tais enlatados vêem de pessoas que se consideram inteligentes – espere mais um pouco, por favor, que estou procurando essa sua suposta inteligência. Estou cansada de frases prontas, histórias baratas, arrogância burra. E já não tenho mais meus ímpetos revolucionários de querer trazer alguma luz: deixo as pessoas fazerem as escolhas delas, mesmo que eu não concorde. Ainda conquisto a nobreza da tolerância. Ou não.
Antes, eu não tolerava pessoas burras. Hoje, também não tolero as pseudo-inteligentes. Todas elas têm o mesmo discurso anti-sociedade, anti-mediocridade, anti-qualquer-coisa.
Farei um freakshow para tevê. Nele, haverá pessoas dizendo opiniões realmente autênticas e revolucionárias. Isso assustará o mundo, i am sure.
