quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Epifania e a Desgraça (sic)

Eu, conversando com uma das pessoas mais importantes da minha vida sobre o Desamparo.
Assunto que eu, me recordando de que sou psicóloga, adoro. Está na monografia, documentado.

Nossa condição primária é ser desamparado. Todo ser humano é desprotegido em sua estrutura: não há como vivermos sós, como nos sustentarmos sós, como não nos comunicarmos. Uma vida de solidão completa é como uma morte na solidão completa: o ser humano é, a partir do momento que existe o Outro. (Sis, olha só, Freud e Lacan na mesma sentença!)

Não há como ignorarmos nosso desamparo existencial. Ele aparece, em forma de angústia, medo, paixão, amizade, auto-estima: há as maneiras boas dele surgir, assim como as ruins. Eu, como pessimista que sou diante da condição humana, gosto de pensar nas negativas. As positivas, como luxuriosa pela vida que também sei ser, não gosto de pensar, mas de viver.

Por que estaria eu ali, protegendo aquela pessoa tão querida de uma crítica?
Por que estaria eu aqui, querendo comunicar as minhas filosofias?
Porque a sensação de desamparo pode ser avassaladora: ela nos coloca diante da nossa pequeneza como ser humano. E não há angústia maior que este descontrole por nós mesmos.

O que diferencia cada um é a maneira de lidar com esta condição, pois a condição é a mesma para todos nós.

Eu, angustiada que sou (por natureza, por condição, por experiência, por charme), ando com esta condição sob o meu nariz todo o tempo. Já houve minha fase de auto-destruição, em que a minha maneira de lidar com ela era não lidar. Depois, tive a experiência maior de Solidão – e a partir dela precisei superar a condição através da própria Solidão. Ela era meu único instrumento, fosse para a vida ou para a morte.

Não sem desespero, usei-a para a Vida. Não a largo mais. Está tatuado, veja.
Foi um processo árduo este de saber viver, mesmo sob minha condição de ser-humana.
Só eu sei. Só nós mesmos sabemos de nossas dores.

Hoje, sei que resolvo minha condição com o seu extremo oposto: vivendo.
Apesar de, como diz minha querida Clarice, em uma sabedoria simples: APESAR DE.
Isto é o que me torna digna.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Fase de Testes - Teste de Hoje: Desistência

Trilha sonora deste post: "Alone in Kioto" - Air

Não sou de desistir fácil do que eu desejo. Posso, até, apertar um botão de “pausa” dentro de mim, mas não jogo fora sentimentos densos que construo. Mesmo quando não me trazem os benefícios que eu gostaria, sempre acredito, no fundo, que pode dar certo, não importa quanto eu tenha que esperar. O que pode acontecer é eu mudar o meu desejo, mas não desistir dele.

Mudar de desejo, tenho histórico. Desistir do que desejo, não. Até agora.

Incrível como dói.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

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Eu que gosto de palavras, estou muda.
Incrível como palavras podem ser inúteis quando se trata de sentimento.
Hoje escrevo a não-palavra: deixo aqui um silêncio que sabe falar mais.

domingo, 6 de julho de 2008

(Suspiros)

Eu, ainda recolhendo alguns pedaços.
Tudo em mim um pouco fora do lugar.
Consigo ouvir as pecinhas soltas aqui dentro.
Vê meus pensamentos confusos? Eu, sim.

O que posso é esperar pelos dias.
Embora uma ordenação, neste momento, pareça improvável.

Torce por mim, pelo menos um instante?
Juro que estou precisando.
 
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