Ao som de "A wolf at the door" (Radiohead)
Não sou uma pessoa muito resistente a frustrações. Acho que fui criada naturalmente insatisfeita, e acabo não tendo muito tato ao lidar com as coisas que não vão bem.
Ando em um dilema quanto a única parte de mim que me faz satisfeita (!) comigo mesma. Não há nada em mim que eu verdadeiramente goste, ou tenha convicção, exceto me ver como Escritora. Está aí minha única identidade que me faz sorrir e até esboçar uma certa auto-estima.
Mas não sei o que fazer com isso, e eis que me vejo passando pela mesma tortuosa crise artística da minha prezada CL. Não sei o que faço com o meu material: se exponho, onde, como, por qual valor, a quem. Me vejo rodeada por centenas de ? e nem sei qual é a pergunta mais fácil a ser respondida, ou qual delas me proporcionaria a menor dose de angústia. Não sei onde foi parar meu ímpeto de começar uma "carreira" como escritora, e nem mesmo sei se isso pode realmente acontecer, pois hoje, nesse momento, it's so dark right here.
Não quero me tornar uma escritora famosa. Faz, inclusive, sentido não ser, pois minha escrita não é fácil - eu não sou fácil. Sendo assim, sei que não ficarei rica a partir disso, e mesmo nem quero que as minhas obras me tragam esse tipo de conforto. Mas, espero das minhas obras uma dose cavalar de conforto artístico, para alimentar uma alma sempre tão auto-destrutiva. Um pouco de reconhecimento seria como um carinho, ou mesmo como um encorajamento por continuar sendo quem sou - coisa que nunca tive muito.
Só vejo obstáculos, no entanto. Talvez faça parte do processo, talvez. E há uma voz de auto-ajuda me dizendo quão pequena serei se não enfrentar esse desafio. E de onde posso tirar esta injeção de convicção, de ânimo, de grandiosidade, se em mim não há nada disso? Alguém pode me dizer, porque eu não.
Penso, às vezes, que nada disso faz diferença. Eu, como escritora ou não, não faço diferença. E essa minha enorme crise-sem-fim de que sou nada, me dói tanto. Tem sido uma fase complicada, eu e essa iminência de que descobrirão de que sou nada - porque, por fim, parece que todos esperam demais de mim e acabam me abandonando ao perceberem que exigem demais para uma pessoa tão assustada com o mundo quanto eu.
Está aí: o mundo nunca me pareceu um lugar bom, e, quando tenho um pequeno estímulo interno de voar, me dou conta da minha própria insignificância. De que serei soterrada por pessoas melhores, anyway.
Meu destino é mesmo ser uma pessoa solitária. Como se eu não soubesse de antemão o fim das minhas próprias histórias.
Desiludida que estou comigo e com o mundo. Nem exigirei de mim que este texto seja bom.
Ando em um dilema quanto a única parte de mim que me faz satisfeita (!) comigo mesma. Não há nada em mim que eu verdadeiramente goste, ou tenha convicção, exceto me ver como Escritora. Está aí minha única identidade que me faz sorrir e até esboçar uma certa auto-estima.
Mas não sei o que fazer com isso, e eis que me vejo passando pela mesma tortuosa crise artística da minha prezada CL. Não sei o que faço com o meu material: se exponho, onde, como, por qual valor, a quem. Me vejo rodeada por centenas de ? e nem sei qual é a pergunta mais fácil a ser respondida, ou qual delas me proporcionaria a menor dose de angústia. Não sei onde foi parar meu ímpeto de começar uma "carreira" como escritora, e nem mesmo sei se isso pode realmente acontecer, pois hoje, nesse momento, it's so dark right here.
Não quero me tornar uma escritora famosa. Faz, inclusive, sentido não ser, pois minha escrita não é fácil - eu não sou fácil. Sendo assim, sei que não ficarei rica a partir disso, e mesmo nem quero que as minhas obras me tragam esse tipo de conforto. Mas, espero das minhas obras uma dose cavalar de conforto artístico, para alimentar uma alma sempre tão auto-destrutiva. Um pouco de reconhecimento seria como um carinho, ou mesmo como um encorajamento por continuar sendo quem sou - coisa que nunca tive muito.
Só vejo obstáculos, no entanto. Talvez faça parte do processo, talvez. E há uma voz de auto-ajuda me dizendo quão pequena serei se não enfrentar esse desafio. E de onde posso tirar esta injeção de convicção, de ânimo, de grandiosidade, se em mim não há nada disso? Alguém pode me dizer, porque eu não.
Penso, às vezes, que nada disso faz diferença. Eu, como escritora ou não, não faço diferença. E essa minha enorme crise-sem-fim de que sou nada, me dói tanto. Tem sido uma fase complicada, eu e essa iminência de que descobrirão de que sou nada - porque, por fim, parece que todos esperam demais de mim e acabam me abandonando ao perceberem que exigem demais para uma pessoa tão assustada com o mundo quanto eu.
Está aí: o mundo nunca me pareceu um lugar bom, e, quando tenho um pequeno estímulo interno de voar, me dou conta da minha própria insignificância. De que serei soterrada por pessoas melhores, anyway.
Meu destino é mesmo ser uma pessoa solitária. Como se eu não soubesse de antemão o fim das minhas próprias histórias.
Desiludida que estou comigo e com o mundo. Nem exigirei de mim que este texto seja bom.