sábado, 30 de agosto de 2008

(+1) Instante de Lucidez Perigosa

(Muito o que pensar, muito o que sentir e, o que fazer?)

"Controlling my feelings for too long. Controlling my feelings for too long. Controlling my feelings for too long. Controlling my feelings for too long.
And forcing our darkest souls to unfold. And forcing our darkest souls to unfold.
And pushing us into self destruction. And pushing us into self destruction.
They make me, make me dream your dreams.They make me, make me scream your screams.
Trying to please you for too long. Trying to please you for too long.
Visions of greed you wallow. Rhythms of greed you wallow. Visions of greed you wallow. Rhythms of greed you wallow.
They make me, make me dream your dreams. They make me, make me scream your screams." Muse

Parte 1
Me pego passando pelo conflito clássico do ser humano: escolher. E eu, sempre tão decidida do que quero, estou dividida em vários quereres. Meu desejo é tê-los todos - estudo formas para que isso seja possível.
Mas, claro, me deparo com as consequências. Todas elas implicam em uma renúncia. Perceba: se eu quisesse exercer esta opção, já a tera elegido; o que me aflige é exatamente este desejo incontrolável e que me parece impossível de ser renunciado.
Do que posso ter, do que quero ter e do que preciso ter. Está tudo aqui, mas não tenho idéia de qual combinação me fará eu e me fará viva. Talvez acabe por me afogar para que alguém escolha por mim: não, isso é covarde.
Acredito que, cedo ou tarde, terei que ser hercúlea. Terei que guardar meu desejo é segredo, com o sofrimento inevitável. Claramente sei que isto será inevitável. E fica a questão: aproveito enquanto posso ou reprimo enquanto posso?

Parte 2
Uma ausência pode ser preenchida? E, se for, deixará de ser uma ausência? Uma vez abandonada, se vierem me resgatar, não deixarei de ser uma sobrevivente do abandono: há esta marca irreparável.
Podemos construir um novo futuro, mas te digo que não podemos me dar uma nova condição. Existe, aqui, uma estrutura sobre uma total falta dela, e nisto fui feita.
Esta sou eu. Respeite meu mistério e minha defesa.

Parte 3
Não quero que desistas de mim.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sobre o Encontro

Pós-filme: Into the Wild
Trilha sonora deste post: Radiohead.

E essa crueldade do contato com o que me dói.

Faz tempo que tenho essa vontade de fugir. Trata-se de uma vontade sem forma: não existem destinos nesta minha vontade, não existem objetivos nela, e nem sei realmente qual é minha intenção – mas as vontades são assim mesmo em mim.

E desde este “faz tempo” me proponho a responder algumas perguntas. Na verdade, acho que sou naturalmente mais predisposta a perguntar do que me preocupar com as respostas.
Do quê eu fujo. Pergunta clássica. Comigo, não é assim que funciona. Eu fujo para o quê. Tem alguma coisa dentro de mim que eu não consigo alcançar, é este meu desejo inalcançável, e acho mesmo que eu o desejo pelo não-alcance. Eu vivo pela busca, não pelo encontro.

Por que eu tenho medo de encontrar. Porque existe um discreto medo em encontrar. E, se houver encontro, o que sobra de mim? A necessidade de começar uma nova busca, pois é disso que sou preenchida. Vês algo na minha vida que não tenha fugido de mim quando eu mais precisei?

Por que eu escolho não encontrar. Sim, eu escolho isso. Quando me vejo perto de algo que eu desejo – lembrando sempre que o desejar vai muito além do querer, como, para minha sorte, Lacan percebeu – eu choro. Impensadamente. Porque me dói de um jeito tão apertado dentro de mim: sei que vou perder aquilo.
Eu e este sentimento de perda. Inclusive eu a espero, acredito que ela está sempre prestes a acontecer. E me vem este medo sempre que encontro algo / alguém que faz diferença na minha angústia – eu sei que há algo acontecendo dentro de mim quando minha angústia ou 1) desaparece como se eu não fosse quem sou ou 2) aparece para me lembrar de quem sou.

Perceba meu dilema. Se há algo logo ali, extremamente valioso a mim e preenchedor desse meu vazio, eu desejo mesmo me entregar. I just close my eyes. Porque, humana que sou (demasiadamente), sempre tenho a esperança maior da não-angústia. Mas, assustada, o que quero é me afastar, e jamais consigo. Este paradoxo ainda me enlouquece.

Desejo dizer tanto. Desejo abraçar tanto. Desejo ser eu mesma tanto. “Hapiness is just real when is shared.” – sempre lembrarei desta cena do filme. Penso como é preciso a renúncia para perceber a escolha.

Creio que sou um pecado. Um mistério – adoro a concepção da Clarice de que a palavra “mistério”, é, na verdade, um grande palavrão. As pessoas têm dificuldade de exercer o encontro delas em mim: eu sou mesmo assim difícil de se chegar.

Mas se chega, fique por aqui. Fique um pouco mais.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Oh, me

Eu.

Está aí um personagem que não ando procurando muito.
Tem vivido tantas coisas, este eu, e mal tem dado tempo de organizar as informações.
Nada ainda foi elaborado. Sinto esta bagunça aqui dentro, se empoeirando.
Este eu, não tem absorvido conselhos. Nem recados. Menos ainda mensagens subliminares.

Repare que ando perdida em mim mesma. Este sempre foi o problema de eu ser quem sou: há tanto aqui dentro de mim, e este tanto é sempre tão intenso, que transbordo por todos os lados. Tudo assim, sem direção.
Fica impossível encontrar o meu equilíbrio. Mesmo eu sabendo que não sou pessoa de ter eixos, mas ser assim, tão viva, também me traz dificuldades. Quero chorar, de tão viva que estou, e nada posso fazer.

Não tem sido uma época simples. Não digo que esteja sendo ruim; também não posso dizer que esteja sendo bom. Estranha essa sensação de coisa-amorfa, coisa-sem-sentido, mesmo que eu já esteja acostumada à minha total falta de sentido. Mas, também tenho um coração, e ele às vezes se decide em ser extremamente sensível, e vulnerável. Não há nada pior para a minha angústia do que esta suscetibilidade que me aparece.

Tenho sentidos demais. Eles dóem dentro de mim. Meu desejo me dói.
Fica a pergunta: por que escolho desejar algo que dói?

Também não posso dizer que não sei o que fazer para o meu coração descomprimir: eu sei.
Não consigo. Simplesmente não consigo. Estou totalmente sem controle de mim mesma.
Um sinal disso é este choro fácil, e surpreendentemente doce.

E esta esperança, mediocremente humana, que não me deixa desistir.
Pareço um cão, rodeando o próprio rabo.

Ser eu me prega cada peça. Vou te contar.
 
AT Wireless
Cell Phones