quinta-feira, 3 de abril de 2008

01/08/2007

O Processo ou A Crise
Existem algumas fases quando se passa por momentos de crise: já tive a tristeza, a raiva, o medo. Agora estou perto de sair da crise, pois alcancei o estágio da elaboração - minha mente não pára um segundo, mas sinto que estou quase lá. E o "lá" será maravilhoso, será libertador, e sairei maior disso tudo. Ando elaborando:

Ressignificação 1 - Sábado
Tem uma coisa que eu acho que ninguém sai ileso: percebi que é comum que nosso parâmetro seja relacionado com o que fazemos - o que temos e o que não temos, o que fazemos e (principalmente) o que não fazemos, e daí vem o que somos e o que não somos. Eu penso tanto sobre isso, e pelo menos já concluí uma coisa: são apenas coisas, são apenas verbos, são apenas atos, nada além. Trata-se apenas de uma rotina, monótona e cansativa, de quem não pode escolher outra coisa - alguém pode? Enxergo como ações mecânicas minhas, quando estou totalmente fora de mim fingindo-me ser eu - porque ali não sou, apenas compareço. Acho curioso quando percebo que muitos se medem por ali, até compreendo que fiquemos o dia todo, a semana toda exercendo tal e tal função, mas é apenas isso: uma função - função podemos ter milhares, mas valor só se tem uma vez, e é de vez. Tento me guardar no valor que possuo, e não na função que os outros me atribuem; não quero mais permitir que os outros (pouco que me conhecem) sejam capazes de me agredir tanto mentalmente. São intrusos da minha paz de espírito. A boa notícia é que sou mais impermeável do que eu era antes, e já alcacei tal indiferença que pouco me importa o que vai me acontecer - acredito que sempre haverá um alívio maior. E é no alívio que eu me concentro dia e noite. Tento me preservar desta selvageria - competição insana pela melhor comida. Amanhã acordarei e vestirei minha máscara, mais uma vez, me disfarçarei da angústia que me toma diversas vezes, e fingirei que sou o que não sou - não porque eu seja hipócrita, nem porque eu seja conformada: eu apenas cansei e desisti. E passo as horas do meu dia, concentrada para não sentir o desconforto por trás, concentrada em coisas cotidianas meramente. Mediocrimente.


Ressignificação 2 - Tattoo
Na humanidade sempre teve histórias de sacrifícios, em várias religiões, vários cultos, muitas crenças, era bom. Entendo isso melhor hoje. O sacrifício que se faz na pele, muito simbólica, limpa - estou com a sensação de leveza, de purificação, é bom. Estranho pensar nessa coisa universal de que ferir a carne purifica a alma, por que? É a concretização das dores, a ida delas à superfície, a ida delas para sempre de dentro para fora. Como se fossem arrancadas, e por isso dói, eram enraízadas demais, talvez. Talvez as minhas sejam. Estou mais indiferente, mais abstrata, mais solene. Mas ainda há o porquê de sentir mais um pouco, não saiu tudo ainda de mim.

Ressignificação 3 - Viagem
Ando ressignificando os acontecimentos, como pode-se perceber. Me ajuda muito quando entendo o porquê das pessoas serem o que são: não anula os sentimentos que me despertam, mas impedem que muitos outros venham a aparecer. Eu me conheço: posso ser muito corajosa ou muito medrosa - sou sempre de extremos. Decidi que minha coragem vai ser a grande indiferença, a grande irresponsabilidade, a grande amoralidade. Minha coragem foi a de ressignificar o que era para ser mundano em algo digno de memória: não me importa se objetivos que não são meus não foram atingidos, me importa que tive um lindo lindo dia ao lado de quem amo mais. E da minha vida só pretendo isso de hoje em diante, porque o resto não vale a pena - exatamente isso, pena, como quem está preso, cumprindo uma: hoje resolvi fugir da cadeia, que deliciosa liberdade a de viver.

Ressignificação 4 - A alegria
Por que descartar a minha alegria, se hoje conquistei uma felicidade que parecia impssível? Tudo me bate na casca, e volta para quem me desferiu, porque sei da minha sorte, da minha vida, e dos meus amores - grandes e acolhedores. Ninguém tira isso de mim.

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