Hoje navegando pela internet, encontrei uma matéria muito interessante (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2710115-EI8423,00.html), e teve uma parte dela que me chamou mais a atenção:
“De uma maneira equivocada, dizemos "matar-se", quando é mais real dizer "viver-se". A gente se vive a cada instante, a cada dia, mês e ano. Escolhemos a dureza de ir em frente, quando seria tão mais fácil qualquer outra alternativa, a, b, c, d ou e. A gente insiste em assistir ao filme da nossa vida, não gostando tanto assim da trilha e sofrendo pra arrumar o financiamento que torna o filme mais ou menos possível, e que permite aos atores comerem mais ou menos, beberem mais ou menos, viajarem mais ou menos, encontrarem o amor, mais ou menos, tudo mais ou menos assim, até o fim, amém.” (Marcelo Carneiro da Cunha)
Acho que me vivo demais, e por isso fica difícil viver-me em meio aos outros com quem convivo. Viver-me implica em muitos comportamentos que são contravenções, revolucionários para uma sociedade como a nossa, e, como é de se esperar, há muito estranhamento – e acabo optando por me desligar de certas coisas. Vou dar um exemplo prático: as conversas cotidianas. Quantas e quantas vezes não emiti minhas opiniões (aos temas mais comuns) e fui recebida a) como estranha; b) como louca, c) com ignorância. Isso me fez, aos poucos, perder a energia, e prefiro hoje ser assim calada – sem que isso me isente de parecer esquisita aos olhos dos outros, obviamente.
Mas a questão é exatamente essa: “tudo mais ou menos assim, até o fim, amém.” Não sou de viver mais ou menos: sou de viver ou tudo, ou nada. Acho mais nobre assim, assim precisamos de maior sensibilidade, de maior inteligência, de maior envolvimento. Mais ou menos é assim, sempre muito comum, sempre tudo nos lugares-comuns – e por acaso isso existe em mim? Faça-me rir.
Fico aqui pensando que a vida já é tão curta para fazer tudo o que quero. E eu fico aqui buscando o meu desejo, e fico buscando que a minha vida seja construída de uma forma que eu possa viver-me por inteira – e não mais ou menos, como me forço por disfarçar quem sou de fato: se não disfarço, não sou aceita ou eu não aceito. E percebo que a vida, para os outros, não é curta, pois eles não têm muito que querer, que desejar, e qualquer coisa mais ou menos já atende às expectativas: todos nos seus respectivos padrões, com seus “certos e errados, podes e não podes” – tudo tão estreito diante da largueza que há.
Que bom que não sou comum.
“De uma maneira equivocada, dizemos "matar-se", quando é mais real dizer "viver-se". A gente se vive a cada instante, a cada dia, mês e ano. Escolhemos a dureza de ir em frente, quando seria tão mais fácil qualquer outra alternativa, a, b, c, d ou e. A gente insiste em assistir ao filme da nossa vida, não gostando tanto assim da trilha e sofrendo pra arrumar o financiamento que torna o filme mais ou menos possível, e que permite aos atores comerem mais ou menos, beberem mais ou menos, viajarem mais ou menos, encontrarem o amor, mais ou menos, tudo mais ou menos assim, até o fim, amém.” (Marcelo Carneiro da Cunha)
Acho que me vivo demais, e por isso fica difícil viver-me em meio aos outros com quem convivo. Viver-me implica em muitos comportamentos que são contravenções, revolucionários para uma sociedade como a nossa, e, como é de se esperar, há muito estranhamento – e acabo optando por me desligar de certas coisas. Vou dar um exemplo prático: as conversas cotidianas. Quantas e quantas vezes não emiti minhas opiniões (aos temas mais comuns) e fui recebida a) como estranha; b) como louca, c) com ignorância. Isso me fez, aos poucos, perder a energia, e prefiro hoje ser assim calada – sem que isso me isente de parecer esquisita aos olhos dos outros, obviamente.
Mas a questão é exatamente essa: “tudo mais ou menos assim, até o fim, amém.” Não sou de viver mais ou menos: sou de viver ou tudo, ou nada. Acho mais nobre assim, assim precisamos de maior sensibilidade, de maior inteligência, de maior envolvimento. Mais ou menos é assim, sempre muito comum, sempre tudo nos lugares-comuns – e por acaso isso existe em mim? Faça-me rir.
Fico aqui pensando que a vida já é tão curta para fazer tudo o que quero. E eu fico aqui buscando o meu desejo, e fico buscando que a minha vida seja construída de uma forma que eu possa viver-me por inteira – e não mais ou menos, como me forço por disfarçar quem sou de fato: se não disfarço, não sou aceita ou eu não aceito. E percebo que a vida, para os outros, não é curta, pois eles não têm muito que querer, que desejar, e qualquer coisa mais ou menos já atende às expectativas: todos nos seus respectivos padrões, com seus “certos e errados, podes e não podes” – tudo tão estreito diante da largueza que há.
Que bom que não sou comum.
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