quinta-feira, 3 de abril de 2008

22/07/2007

VENUS IN FURS - VELVET UNDERGROUND
"Shiny, shiny, shiny boots of leatherWhiplash girlchild in the darkComes in bells, your servant, don't forsake himStrike, dear mistress, and cure his heartDowny sins of streetlight fanciesChase the costumes she shall wearErmine furs adorn the imperiousSeverin, Severin awaits you thereI am tired, I am wearyI could sleep for a thousand yearsA thousand dreams that would awake meDifferent colors made of tearsKiss the boot of shiny, shiny leatherShiny leather in the darkTongue of thongs, the belt that does await youStrike, dear mistress, and cure his heartSeverin, Severin, speak so slightlySeverin, down on your bended kneeTaste the whip, in love not given lightlyTaste the whip, now plead for meI am tired, I am wearyI could sleep for a thousand yearsA thousand dreams that would awake meDifferent colors made of tearsShiny, shiny, shiny boots of leatherWhiplash girlchild in the darkSeverin, your servant comes in bells, please don't forsake himStrike, dear mistress, and cure his heart"

Me disseram que o tema dos meus últimos posts tem se repetido, e eu concordo: mas isso me entristece, é sinal de que são sempre os mesmos incômodos. São minhas "voltas ao redor do desejo." E o que eu desejo? E por que dou voltas?
Eu desejo uma rotina diferente. O cotidiano nos diz muito o que somos: sobra pouco tempo, e, com isso, devemos escolher nossas prioridades - então é fácil descobrir quem é o quê, e eu gostaria de entender menos os motivos dos outros, pois sempre descubro uma parte podre em quem eu não gostaria. Fica tão nítido, para mim, os meus valores e os dos demais, e aí percebo que o mundo não é um bom lugar para se estar. É nas escolhas dos outros que eu me aprofundo, e nas minhas me descubro um pouco mais todos os dias. E as minhas escolhas são o meu desejo. Mas, por que dou as voltas? Se a vida me levasse direto, reto, em direção ao meu desejo, de onde eu tiraria uma razão de ser, literalmente? Não me vejo conquistando as coisas fáceis, é contrário à minha filosofia.
Me lembrei de um certo tipo de sofrimento que já tive. Foram vários diferentes, e não costumo dividi-los - guardo um certo tipo de constrangimento e me preservo. Mas desse me lembrei: era uma espécie de letargia, de uma apatia - o grau de infelicidade alcançava tal ponto que era impossível reagir de alguma forma que fosse compatível. Não havia saída: esse era o desespero final. E não havia ninguém - qualquer dia coloco em palavras o nível de solidão que me era. Mas o que doía mesmo era a letargia: eram horas lentas e amargas que passavam ser me levar a nada, sem passar por nada, sem dizer nada. O pior acontecia: nada. Sentia que foram anos desperdiçados de vida, essa matéria-prima, mas me lembrando, revi: faz parte do que eu sou hoje, e faz parte de eu ser assim tida como esquisita e impenetrável. Melancólica.
Ainda sinto o alívio de ter saído deste nada - era tão denso, tão sem ar. Todos os dias me convenço de que não vai mais voltar: se hoje eu me descubro nas minhas escolhas, também descubro que as minhas escolhas me levam à distâncias enormes desse nada. Porque agora me sinto dona de mim, não ainda das minhas angústias, mas de mim, do que eu terei para contar no futuro. Como se eu tivesse retomado o rumo, depois de ter me perdido e me deixado ficar. E penso que existem pessoas tão "próximas" de mim que nunca perceberam o que se passava comigo: esta foi a minha primeira grande decepção. E é por ter passado pelo pior sozinha que me tornei assim meio misteriosa, meio inquieta e meio distante, mas só eu sei. E hoje, quando percebo que as partes podres ainda existem, no mesmo formato, dôo minha raiva e meu asco, pois não quero que esse tipo de sensação fique comigo.
Nessas horas, não acredito nas palavras: quem quer que leia isso, vai entender o sofrimento a seu modo, não ao meu. Sei que podem até realizar esforços para me alcançar, mas nós somos proprietários dos nosso sofrimentos, os outros são sempre espectadores. É assim que a vida funciona - que cada um corra atrás de sua própria história.
Cada dia vale muito, e vale mais do que o dia anterior, pois é um dia a menos que temos - é isso que eu priorizo no meu cotidiano. E também é um dia a mais que sobrevivi a este tipo de sofrimento. Não quero mais me lembrar: a marca continuará aqui, mas silenciosa e calma.

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