Hoje acordei sem paciência para o mundo, e depois me perguntam o porquê do meu mau humor. Eu pergunto: tem como ser diferente? Acredito que se todos tivessem um pouco que fosse de sensatez, só um pouco, também ficariam revoltados diante das coisas - de todas as coisas, as coisas como são. Talvez meu problema esteja em querer demais que as pessoas melhorem: se são elas mesmas que criam e alimentam este mundo perverso. Gostaria de refletir menos sobre tudo, gostaria de pensar menos, pq cada vez mais eu percebo que quero sair deste mundo, que aqui não é pra mim: como não ficar de mau humor se sou obrigada a me disfarçar de algo que não sou? Como conseguir sorrir sabendo que tudo está do avesso? só é possível se nos anulamos um pouco (ou um muito) e isso pra mim é inadmissível - lutei tanto pra me encontrar, e se perder é tão fácil. E se encontro algo, continua sendo em mim: pq ao meu redor é árido, as pessoas são áridas, parece que nada mais é capaz de frutificar o mínimo que seja. Não sou mais capaz de encontrar esperança, e não sofro por isso - eu sofro por quem se engana. Eu sofro por todos aqueles que se iludem, que se escondem, que se moldam. E no meio do meu mau humor, eu estou pensando: de quê serve tudo isso? será mesmo que somos tão pequenos? Veja, o meu mau humor não é um estado de ânimo, é uma crise existencialista - quisera eu que mais pessoas tivessem uma, nem que fosse de vez em quando, assim não teria que me explicar. Eu não quero me explicar a um mundo que não me entenderá, não quero mais perder tempo com manuais de quem eu sou. E também não tenho ideais inatingíveis e utópicos: simplesmente abomino as coisas como são, e que eu permaneça no meu canto me aproximando de mim mesma pra não me perder no meio do meu caminho. Que me perdoem quem se encaixa nessa categoria, mas quem está sempre contente não entende o mundo.
Além disso tudo, que eu penso muito, me incomodo com tantos padrões: essa necessidade que todos têm de se enquadrar cada um em seu estereótipo para fugir um pouco do risco de se ficar louco - mas, veja bem, o risco que corremos não é o de ser louco, mas de sermos autênticos (incrível como muitos temem a si mesmos). E se sou muito "eu mesma", sei que sou estranha, e tenho achado essa estranheza uma bênção diante de tanta mesquinheza que tenho percebido nas pessoas. Também estou cansada dessa mania de normalidade. Dessa mania de padronização do que se é.
"Hoje não dá Hoje não dá
Não sei mais o que dizer E nem o que pensar
Hoje não dá Hoje não dáA maldade humana agora não tem nome
Hoje não dáPegue duas medidas de estupidez Junte trinta e quatro partes de mentiraColoque tudo numa forma Untada previamente Com promessas não cumpridasAdicione a seguir o ódio e a inveja As dez colheres cheias de burriceMexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno Temperar com essência de espirito de porco,Duas xícaras de indiferença E um tablete e meio de preguiçaHoje não dá Hoje não dá Está um dia tão bonito lá fora; E eu quero brincarMas hoje não dá Hoje não dáVou consertar a minha asa quebrada e descansarGostaria de não saber destes crimes atrozesÉ todo dia agora e o que vamos fazer?Quero voar p'ra bem longe mas hoje não dáNão sei o que pensar e nem o que dizerSó nos sobrou do amor a falta que ficou."
Além disso tudo, que eu penso muito, me incomodo com tantos padrões: essa necessidade que todos têm de se enquadrar cada um em seu estereótipo para fugir um pouco do risco de se ficar louco - mas, veja bem, o risco que corremos não é o de ser louco, mas de sermos autênticos (incrível como muitos temem a si mesmos). E se sou muito "eu mesma", sei que sou estranha, e tenho achado essa estranheza uma bênção diante de tanta mesquinheza que tenho percebido nas pessoas. Também estou cansada dessa mania de normalidade. Dessa mania de padronização do que se é.
"Hoje não dá Hoje não dá
Não sei mais o que dizer E nem o que pensar
Hoje não dá Hoje não dáA maldade humana agora não tem nome
Hoje não dáPegue duas medidas de estupidez Junte trinta e quatro partes de mentiraColoque tudo numa forma Untada previamente Com promessas não cumpridasAdicione a seguir o ódio e a inveja As dez colheres cheias de burriceMexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno Temperar com essência de espirito de porco,Duas xícaras de indiferença E um tablete e meio de preguiçaHoje não dá Hoje não dá Está um dia tão bonito lá fora; E eu quero brincarMas hoje não dá Hoje não dáVou consertar a minha asa quebrada e descansarGostaria de não saber destes crimes atrozesÉ todo dia agora e o que vamos fazer?Quero voar p'ra bem longe mas hoje não dáNão sei o que pensar e nem o que dizerSó nos sobrou do amor a falta que ficou."
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