Coisas que eu não posso viver sem:
1) Pequenos (ou não) atos que manifestem minha verdadeira essência. Desde um comentário impróprio até minhas repentinas rupturas. Sou pessoa de extremos: não sou do tipo que possui sentimentos mornos. “Decifra-me ou te devoro”.
2) Inquietação. Absurda e presente de uma maneira irreversível. O que me garante que continuo buscando, perguntando, descobrindo. Remexendo na ordem do mundo.
3) Surpresas. Quando eu não mais surpreender alguém (o que às vezes se tranforma em assustar), ou quando ninguém mais conseguir me surpreender, estarei morta por dentro.
4) Música. Algumas tocam exatamente o que eu tenho a sentir.
5) Liberdade. Mesmo não sendo ainda do tamanho do meu desejo.
6) Desejo. Se eu não mais desejar além do que eu tenho, alguém deverá me ajudar: pois será um sinal de que me tornei uma pessoa comum, uma pessoa normal. Ordinária. Eu preciso dessa minha insatisfação inacabável.
7) Pessoas. Do meu mundo, ou do mundo mais próximo possível.
8) Atenção. Pois meus instinto me faz ser carente.
9) Lust. A vida calma jamais foi inventada pensando em mim. Eu gosto de absurdos. De contravenções. De anormalidades.
10) Coragem. Ser como eu sempre me deu medo.
Alguns insights recentes:
A) Meu desejo é sempre meu medo.
B) Meu desejo também sempre é meu dono. Não sei dizer não ao meu desejo. E mesmo que dizer sim a ele me faça sofrer, dizer não é de um sofrimento pior. Causa danos irreparáveis em mim.
C) Não sou mulher simples. Há quem diga que nenhuma mulher é (o que eu concordo), mas eu nasci com o destino de ser complexa. Certas fórmulas comigo não funcionam – mas há esse viver-comigo que eu quero que seja aproveitado, pois eu me divirto muito sendo mulher-do-meu-jeito.
D) Repito alguns padrões de comportamento. E existe esse botão de alerta que me sinaliza quando posso ficar carente – e existe este meu alarme de sobrevivência, pois é impossível não lembrar os abandonos. Eu tenho medo, after all.
E) A vida está sempre ao meu lado. É porque sei o que quero.
F) Minha beleza não é óbvia. Em todos os sentidos. Eu não sou óbvia.
G) Preciso de espaço para me exercer. Me ser requer uma imensidão de mundo.
H) Posso ser tolerante. E posso, também, não querer ser.
I) Me falam sempre sobre oferecer (ou não) garantias. Agora quem não as oferece sou eu.
J) Tenho o direito à minha própria defesa. Mas, às vezes, opto por me expôr até o osso.
K) Estou me ampliando ainda mais, sem limite e sem controle.
"Blue, songs are like tatoos You know I've been to see before Crown and anchor me, Or let me sail away Blue, there is a song for you Ink on a pin, Underneath the skin, An empty space to fill in Well, there's so many sinking Now you gotta keep thinking You can make it through these waves Acid, booze, and ass Needles, guns, and grass Lots of laughs, lots of laughs Everybody's saying that Hell's the hippest way to go Well, I don't think so, but I'll take a look around it, though Blue, I love you. Blue, here is a shell for you Inside you'll hear a sigh A foggy lullaby There is your from me." Cat Power