domingo, 29 de junho de 2008

Dor de Estômago


Coisas que eu não posso viver sem:
1) Pequenos (ou não) atos que manifestem minha verdadeira essência. Desde um comentário impróprio até minhas repentinas rupturas. Sou pessoa de extremos: não sou do tipo que possui sentimentos mornos. “Decifra-me ou te devoro”.
2) Inquietação. Absurda e presente de uma maneira irreversível. O que me garante que continuo buscando, perguntando, descobrindo. Remexendo na ordem do mundo.
3) Surpresas. Quando eu não mais surpreender alguém (o que às vezes se tranforma em assustar), ou quando ninguém mais conseguir me surpreender, estarei morta por dentro.
4) Música. Algumas tocam exatamente o que eu tenho a sentir.
5) Liberdade. Mesmo não sendo ainda do tamanho do meu desejo.
6) Desejo. Se eu não mais desejar além do que eu tenho, alguém deverá me ajudar: pois será um sinal de que me tornei uma pessoa comum, uma pessoa normal. Ordinária. Eu preciso dessa minha insatisfação inacabável.
7) Pessoas. Do meu mundo, ou do mundo mais próximo possível.
8) Atenção. Pois meus instinto me faz ser carente.
9) Lust. A vida calma jamais foi inventada pensando em mim. Eu gosto de absurdos. De contravenções. De anormalidades.
10) Coragem. Ser como eu sempre me deu medo.


Alguns insights recentes:
A) Meu desejo é sempre meu medo.
B) Meu desejo também sempre é meu dono. Não sei dizer não ao meu desejo. E mesmo que dizer sim a ele me faça sofrer, dizer não é de um sofrimento pior. Causa danos irreparáveis em mim.
C) Não sou mulher simples. Há quem diga que nenhuma mulher é (o que eu concordo), mas eu nasci com o destino de ser complexa. Certas fórmulas comigo não funcionam – mas há esse viver-comigo que eu quero que seja aproveitado, pois eu me divirto muito sendo mulher-do-meu-jeito.
D) Repito alguns padrões de comportamento. E existe esse botão de alerta que me sinaliza quando posso ficar carente – e existe este meu alarme de sobrevivência, pois é impossível não lembrar os abandonos. Eu tenho medo, after all.
E) A vida está sempre ao meu lado. É porque sei o que quero.
F) Minha beleza não é óbvia. Em todos os sentidos. Eu não sou óbvia.
G) Preciso de espaço para me exercer. Me ser requer uma imensidão de mundo.
H) Posso ser tolerante. E posso, também, não querer ser.
I) Me falam sempre sobre oferecer (ou não) garantias. Agora quem não as oferece sou eu.
J) Tenho o direito à minha própria defesa. Mas, às vezes, opto por me expôr até o osso.
K) Estou me ampliando ainda mais, sem limite e sem controle.

"Blue, songs are like tatoos You know I've been to see before Crown and anchor me, Or let me sail away Blue, there is a song for you Ink on a pin, Underneath the skin, An empty space to fill in Well, there's so many sinking Now you gotta keep thinking You can make it through these waves Acid, booze, and ass Needles, guns, and grass Lots of laughs, lots of laughs Everybody's saying that Hell's the hippest way to go Well, I don't think so, but I'll take a look around it, though Blue, I love you. Blue, here is a shell for you Inside you'll hear a sigh A foggy lullaby There is your from me." Cat Power

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Instantes-já

Escuto muito as pessoas falando sobre planos. Reclamando que o tempo passa cada vez mais rápido. Que o mês x está chegando. Que a idade está chegando. Com aquele tom de urgência de quem está frustrado, e acha que não há mais tempo de recuperar o que se foi. Ou com aquele tom de quem não tem nada, no presente, com o que se entreter, e toda a vida não passa de alegrias projetadas para o futuro.

Como podemos contar com algo que não existe, isto é o que me pergunto. O futuro não existe: podemos prever algumas consequências, poucas necessidades, vários desejos, mas nada disso existe de fato. O futuro não passa de um produto do pensamento.

Eu penso em sentimentos: estes não sabem nada a respeito de futuro. Por isso os adoro – eles sabem exatamente como devemos nos comportar neste instante-já. Eles sempre sabem o que eu devo fazer e, melhor, o que eu realmente desejo fazer. Desta forma, percebo como quero viver a minha história: não dependente de algo que não existe, como o futuro, ou o tempo.

O tempo não existe, ele é, e é independente se dele vamos nos aproveitar ou não, se iremos desperdiçá-lo ou não. O tempo não se importa nem um pouco conosco, e nós, sempre tão pequenos diante da imensidão do mundo, não somos capazes de também não nos preocuparmos com ele.

O tempo, em si, não é rápido ou devagar. Nossa impressão dele é tão somente a nossa percepção de nossa própria vida.

Eu gosto de poder viver o que eu tenho hoje. Amanhã não faço a menor idéia de mim – alguém faz? E, se no futuro tudo o que eu tenho hoje não fizer mais parte do meu presente, farei questão de aproveitar tudo das novas histórias de mim mesma que eu poderei escrever. Não sou pessoa de ter uma história obviamente determinada, com começo, meio e fim: sou pessoa de inventar verdades minhas, como bem me convém, e sem a menor possibilidade de que eu ofereça a alguém garantias do que eu sou de fato.

O que eu sou eu mudo de acordo com a música que toca. Um grande e delicioso mistério dentro de mim. E assim estou sempre cheia por dentro.

Dia desses, terminei meu quarto livro. Muito árduo, e por isso mesmo, muito criativo. Orgulho. Quero o mesmo final a mim: quero conquistar um final solene, solenidade de música, e, de preferência, surrealmente lindo. Com pequenas explosões. Me realizei um pouco naquele fim.

Mas, como posso ter fim se nem começo tenho?
Não gosto de lógica.

“Se em um instante se nasce, e se morre em um instante, um instante é o bastante para a vida toda.” CL

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Silêncio-falador

Quando não posso dizer o que me é valioso, sempre existe a possibilidade do papel: assim faço chamados silenciosos, e ninguém precisa descobrir meus mistérios. Sou alguém de mistérios, e o meu maior mistério é agir com espontaneidade equivocada.
Minha espontaneidade me deixa certos destroços. Eu e essa mania de ser extremamente verdadeira, e sempre com quem mais se assusta. Eu atraio, juro. Não sei se é um teste, e, se for, azar – demorei muito tempo para me definir de uma maneira que eu gostasse, e hoje me aceito plenamente, a ponto de também poder rejeitar.
Houve um tempo – muito longo – que eu sempre estava na mesma posição diante do outro: como uma pessoa auto-piedosa demais, e esse sadismo de encontrar mil defeitos em um milímetro. Como a minha cabeça não se acalma, muito percorri dentro de mim até perceber que eu tenho controle sobre o que me atinge.
Mas continuo não tendo controle sobre o que eu sinto, e é então que preciso deste meu silêncio-falador. Como dizer não quando todo o resto até treme? Este sono cansado, este dia arrastado, tantos sinais de um desejo grande demais para ser sufocado: não é um desejo de ti, é um desejo maior, quase universal, atemporal. Não consigo, simplesmente assim. Quero sentir que estou vivendo o máximo que é possível – nem falo no máximo que eu consigo, porque eu ainda consigo muito mais que isso. Essa ânsia de viver e de ter uma felicidade que transborde bêbada. Ao natural.
E isso de não se preocupar com. Ótimo. E pensar que eu sempre fui assim, muito pensante, muito atrás de respostas – eu nem sequer sei fazer as perguntas certas, muita pretensão a minha de procurar tanto pelo que ninguém mais encontrou. Ou não?
O que não gosto (e por isso estou aqui) é quando me vejo impedida de expandir o tanto que meu coração quer. Tenho um coração grande, morno, e livre. Muito livre. Como se eu sempre pudesse oferecer o que a pessoa quer: não percebes? Basta se entregar – eu me entrego, e pronto! está feito. Pior é quando quero resistir: me torno apática, cansada, pensante outra vez. Isso não é o melhor de mim, mas como dizer a quem resiste que o meu melhor é não resistir, me diga.
Escolho, no final, este meu silêncio de quem se ausenta. Afinal, ser humano que sou, me devo o direito de negar, fugir, idealizar, racionalizar – mas, me enganar, isso jamais seria possível. Sou do tipo que possui uma alucinógena lucidez perigosa e quase mortal. Sei onde me dói. Sei onde desejo. Sei onde te desejo. Muito. E por isso finjo que não, embora esta minha espontaneidade equivocada ainda vá me fazer te confessar segredos inconfessáveis.
Confessa para mim também. Fala perto do ouvido que não digo nada a ninguém (nem mesmo você vai perceber o que me confidenciou). Bebamos, à vida! Porque a morte é certa. Eu não sou, e o charme de tudo é que ninguém é: obviedade não me é afrodisíaco. E, de tudo que meu coração sente – e minha cabeça atormentante pensa – o que tiro como lição é: nada. Nada! Continuo sentindo dores de dentro que só eu sei o que significam, e continuo percebendo que não quero resistir / não quero me entregar. Contraditória como sempre.
(O pior / melhor de tudo é o desejo. Maior que eu. Estes são os bons, e que me fazem relembrar de certas coragens imprudentes. That’s me babe. Enjoy what I have to give to you. Let’s spend the night together again.) A noite é sempre a melhor parte.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Dilema do Dia

Perceba meu dilema:

Quero conversar sobre minhas reflexões, mas quem me entende falar delas, não pode.
Quem pode conversar, quer assuntos banais, que não me dizem absolutamente nada.
Logo, me vejo aqui, em um silêncio meditativo. E inquieta por tanto o que expôr.

Incrível esta necessidade do ser humano de se comunicar.
E meu conflito é sempre ter esta necessidade um pouco diferente dos demais.

Vou para o meu livro. Difícil que está de terminá-lo.

domingo, 15 de junho de 2008

We are stars... we are...

"On another day c'mon c'mon With these ropes I tied can we do no wrong Now we grieve cause now is gone Things were good when we were young With my teeth locked down I can see the blood Of a thousand men who have come and gone Now we grieve cause now is gone Things were good when we were young Is it safe to say? (c'mon c'mon) Was it right to leave? (c'mon c'mon) Will I ever learn? (c'mon c'mon) (c'mon c'mon c'mon c'mon) As I make my way c'mon c'mon These better nights that seem too long Now we grieve cause now is gone Things were good when we were young With my teeth locked down I can see the blood Of a thousand men who have come and gone Now we grieve cause now is gone Things were good when we were youngIs it safe to say? (c'mon c'mon) Was it right to leave? (c'mon c'mon) Will I never learn? (c'mon c'mon) (c'mon c'mon c'mon c'mon)I s it safe to say? (c'mon c'mon) Was it right to leave? (c'mon c'mon) Will I never learn? (c'mon c'mon) (c'mon c'mon c'mon c'mon) And no this day these deepened wounds don't heal so fast Can't hear me croon of a million lies that speak no truth Of a time gone by that now is through." The Von Bondies

There's so much youth here.
What can i do?
I won't runaway, I will be me once more.
I'll die, by the way.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Space Dementia

Ando obcecada por esta música.

"Mmmmm H-eight ... is the one for meIt gives me all i need And helps me co-exist With the chill You make me sick Because i adore you soI love all the dirty tricks And twisted games you play On me Space dementia in your eyes and Peace will arise And tear us apart And make us meaningless again Mmmm, yeah You'll make us wanna dieI'd cut your name in my heart We'll destroy this world for youI know you want me to Feel your pain Space dementia in your eyes and Peace will arise And tear us apart And make us meaningless again Ooooh..." Muse

E é impossível não me ver naquela propaganda do Dior, Midnight Poison. :)
Hoje me dei o direito de não escrever algo existencial.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Karen Koltrane

"Karen's moving out Out into the sky Karen trips on a cloud Sets down with stars in her eyes She's alone in a room She's deep inside of her mind Karen's leaving for the snow Somewhere to somewhere... blind Cuts at the lining of my soul I was tethered to her for a time Will she stay forever? Are we still together?(will she stay?) Will she stay forever? Are we still together?(bedside.. flashlight.. bedside.. Karen stay) Will she stay forever? Are we still together?(bedside.. flashlight.. bedside.. will she stay?) Will she stay forever? Are we still together?(bedside.. flashlight.. bedside.. Karen stay..) (bedside..)Karen, you're hanging on the line Wrap your coat tight around Karen, your eyes are on the prize I'll catch you on the way down. " Sonic Youth

Quando eu fico muito bem, logo quero sair daqui. Não é por mal, nem por ingratidão. É pelo tédio.
O que me move é esta sensação implacável de tédio. Se não fosse por ele, como eu saberia onde não é o meu lugar? Jamais seria capaz de identificar o quão maior que tudo isso posso ser, e acabaria por me contentar com uma existência mais medíocre.
Mas não. Quero sempre uma vida menos ordinária.
Sabes que hoje nem estou com grande vontade de escrever? Isso me acontece quando estou neste ponto que é o meio do caminho: sei de onde estou vindo, mas não sei ainda para onde ir. Acho que será sempre assim comigo. Fico esperando que a própria vida desperte mim a minha já conhecida angústia de recomeços e re-destruições.
Tudo adormecido por aqui, assim um pouco mole, em câmera lenta, morno. Esperando as solenidades.
Hoje me saiu um pouco deste lust de estar viva. Gostaria de ter mais espaço para ele, mas hoje isso não vai me incomodar como de costume: é tudo uma questão das minhas escolhas, e como me escolhi ser assim, sempre fará parte me considerar um pouco fora de época, um pouco exagerada e espontânea demais, um pouco bêbada de menos.
Preciso exercer mais meu lust.
Topas?

Topas?
 
AT Wireless
Cell Phones