sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Oh, me

Eu.

Está aí um personagem que não ando procurando muito.
Tem vivido tantas coisas, este eu, e mal tem dado tempo de organizar as informações.
Nada ainda foi elaborado. Sinto esta bagunça aqui dentro, se empoeirando.
Este eu, não tem absorvido conselhos. Nem recados. Menos ainda mensagens subliminares.

Repare que ando perdida em mim mesma. Este sempre foi o problema de eu ser quem sou: há tanto aqui dentro de mim, e este tanto é sempre tão intenso, que transbordo por todos os lados. Tudo assim, sem direção.
Fica impossível encontrar o meu equilíbrio. Mesmo eu sabendo que não sou pessoa de ter eixos, mas ser assim, tão viva, também me traz dificuldades. Quero chorar, de tão viva que estou, e nada posso fazer.

Não tem sido uma época simples. Não digo que esteja sendo ruim; também não posso dizer que esteja sendo bom. Estranha essa sensação de coisa-amorfa, coisa-sem-sentido, mesmo que eu já esteja acostumada à minha total falta de sentido. Mas, também tenho um coração, e ele às vezes se decide em ser extremamente sensível, e vulnerável. Não há nada pior para a minha angústia do que esta suscetibilidade que me aparece.

Tenho sentidos demais. Eles dóem dentro de mim. Meu desejo me dói.
Fica a pergunta: por que escolho desejar algo que dói?

Também não posso dizer que não sei o que fazer para o meu coração descomprimir: eu sei.
Não consigo. Simplesmente não consigo. Estou totalmente sem controle de mim mesma.
Um sinal disso é este choro fácil, e surpreendentemente doce.

E esta esperança, mediocremente humana, que não me deixa desistir.
Pareço um cão, rodeando o próprio rabo.

Ser eu me prega cada peça. Vou te contar.

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