Dia de muitas elaborações.
Curioso como eu me sinto desconfortável quando eu coloco meus desejos diante dos Outros. Hoje, percebi claramente o motivo dessa minha dificuldade: este tipo de atitude é tida como "agressiva".
Interessante notar no discurso que defender meus desejo é algo como um ataque. O Outro, que me coloca na posição de Objeto, se sente ameaçado quando eu lhe mostro que sou dona de mim. Por alguns instantes, quase caí neste papel - pois esta carapuça vem me servindo ao longo dos anos - mas hoje, enfim, começo a me colocar em outra posição.
Se eu não mudar a posição em que me coloco, o Outro também não mudará a posição em que se e me coloca. Prefiro que seja eu a iniciar essa dança das cadeiras, logo eu, que adoro movimentar o mundo, apesar da angústia.
Hoje também ouvi e pensei bastante a respeito de renúncias. Para mim fica cada vez mais claro que os caminhos estão marcados: um que passou por aqui disse que não, o outro ouviu e repetiu o não, e assim todos caminham esperando obter as mesmas respostas do mundo - ou, na minha crença, do Universo.
Mas comigo, não. Eu acredito que posso receber outras respostas da vida, e arrisco-me a tentar alcançar um estado de plenitude xyz. Claro que este estado talvez represente plenitude somente a mim, e eu espero, de fato, que seja assim. Prefiro um caminho solitário e mal compreendido do que um que não reflita a minha essência.
E se a minha essência é tão paradoxal, me resta encontrar um caminho que também o seja. Não que eu não reflita a respeito do que as pessoas me dizem, mas também assumo que vez ou outra tais palavras não ecoam dentro de mim.
Não deveria ser revolucionário tornar-se um Sujeito, mas é. Dia de muitas elaborações.
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