Existem certas coisas que mexem muito comigo.
Faz tempo que venho pensando em empatia. Andei reparando que a falta dela é o que desencadeia uma série de outros comportamentos que comprometem o viver bem neste mundo. A começar que ter empatia significa uma ausência de si mesmo no entendimento dos problemas e sentimentos do outro. Claro que uma ausência total é impróvável e impossível, mas uma delicada ausência de julgamentos ou de conceitos faz a diferença no coração do outro.
Digo por experiência própria: ainda mais quando se é diferente e estrangeiro ao mundo.
Quando Harvey Milk diz no filme à multidão revoltada "I know you're angry", ele estava falando também comigo, por mais que eu estivesse fisicamente e cronológicamente distante daquela realidade. Eu sinto muita raiva quando as pessoas não são compreendidas, quando elas são julgadas e quando elas são conceituadas por aqueles que nem sequer fazem parte do mesmo mundo. Tive vontade de exercer meu lado ativista que sempre existiu, mas de uma forma tímida e meio sem objetos.
Pode-se resolver uma série de problemas apenas tendo empatia. Penso naquelas pessoas mal educadas, andando apressadas na rua, levando o que aparece pela frente, incapazes de dar um sorriso: se elas fossem capazes de serem empáticas, elas lembrariam que aqueles que elas ofendem gratuitamente na rua também vivem, como elas.
A empatia nos traz esse direito de sermos gentis, e esse poder de fazer o dia algo bom.
Mas, me parece que essa característica é algo muito evoluído, e que estamos muito distantes de conquistá-la.
Eu me acho assim estranha porque ninguém jamais conseguiu sentir empatia pelos meus problemas mais complicados, ou por não entender as minhas filosofias de vida. A esta altura do campeonato, a minha posição é: !
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