segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ensaio do retorno

Suponha que sejamos livres: assim começou seu pensamento. E assim também ele parou. Havia tanta convicção de que er de fato, livre, que desistiu do resto da frase.
Suponha, então, que não sejamos livres: opa. Outro pensamento que terinou em seu início. Pois também sabe que nem sempre conseguimos exercer a liberdade.
E agora? Éramos ou não, livres?
Confuso, sabia que era. E também um pouco solitário. Na verdade, sua solidão era ferramenta para o exercício da liberdade: era muito raro sentir-se bem ao lado de outras pessoas.
E, se a liberdade existe, é algo interno. É uma divisão que especifica quais escolhas foram tuas, e quais escolhas foram minhas. Nada mais é que o exercício do discernimento: o que vem de fora nos atinge, de uma forma ou outra.
Então, ele dissipo um pouco da atenção. Ao seu redor, ecoavam assuntos tão banais, de existências tão comuns. Existências tão não-livres. Estava cansado dos pseudo-livres. Eles tinham a falsa sensação de pertencer a um nível mais elevado de vida.
Na sua frente, havia uma muher escolhendo o nome e o signo de seu filho. Impossível não rir disso.
Para ele, era cada vez mais difícil viver em um mundo de escolhas tão óbvias.
Será que era possível escolherema liberdade?

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