Aumento o volume da música e confirmo que os fones estejam bloqueando o som que vem de fora.
Não quero escutar nenhum som além dos meus e dos seus.
Eu bem que poderia participar dos assuntos, pois em todos eles tenho uma opinião ou uma história a dizer, mas eu simplesmente desisti. Não acredito mais que eu possa open a mind. Não acredito mais que as pessoas possam ter maior amplitude.
A música que ouço avança dentro de mim como nada mais é capaz.
São palavras de quem talvez faça parte da mesma realidade que eu, e o único contato que tenho contigo é desconhecido e abstrato.
Isto faz parte das minhas melhores relações com pessoas: distância e abstrato.
Eu queria, pelo menos por um momento, sentir que há possibilidades de transformar as conversas, os pensamentos, as opiniões dos outros em riqueza.
Queria sentir que existem pessoas que podem ser autênticas, diferentes, revolucionárias, e que fosse possível reunir identidades inteligentes e realmente originais e iniciar uma mudança: de postura, de relação, de visão. Mas eu só conheço eu e você, e por mais que sejamos totalmente fora da curva, somos pouco diante da força que a ignorância pode ter.
Há quem deva me achar mau humorada. Eu não me importo. Há quem deva me achar estranha. Eu até mesmo gosto e prefiro que as pessoas percebam que eu sou diferente e não faço parte do pequeno mundo em que elas vivem.
Eu posso bem mais do que tenho hoje. Me vem esta vontade incontrolável de querer operar uma grande mudança em minha vida – mas fique tranqüilo, que você fará parte de toda e qualquer mudança de planos que eu esquematize.
Vamos encontrar lá fora a harmonia para essa música que eu escuto.
Deve existir algum lugar no mundo para pessoas como nós. E, neste lugar, ou faremos uma revolução ou teremos, enfim, sossego. Ou me exerço de vez, ou me recolho de vez – é este meio termo comum que me mata aos poucos.
Poderíamos criar uma realidade totalmente nossa, e que fosse coerente com a música.
Ah, a música. Existe ressonância entre eu e ela, e eu e você. Para mim, basta isso, e então sou feliz e calma. Inacreditavelmente à vontade para ser eu mesma.
Você é o meu lugar no mundo.
Vai ver que meu alter ego é para ser uma música: distante e abstrata. Ah, mas isso eu já sou.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
O volume da música
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Um comentário:
From What i understand of Portuguese that is a beautiful poem
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