Meu pensamento caminha sem vírgulas, pontos, sequer exclamações. É uma sucessão de raciocínios que se entrelaçam (aparentemente) sem nenhuma conexão lógica. Eis minha tentativa de ordená-los em direção a algum qualquer insight.
1. Construir meu próprio espaço tem sido uma experiência única. Pela primeira vez, sinto domínio sobre as minhas escolhas, desde as menores até as mais relevantes e determinantes do que sou de fato. Me vejo, nesta construção, e avalio se ela está de acordo com a minha essência. Por enquanto, está em obras – a construção, não a essência, pois esta já foi descoberta.
2. Me habituar com o novo espaço tem sido tarefa digna de diversas notas mentais sobre melancolia, Mas, quer saber? Nada disso, por hoje. Sempre me haverá tempo para ela, enquanto que, para a alegria mansa, reservo pouco de mim.
3. Percebi que houve um arrependimento por algumas escolhas feitas. Em seguida, parei para pensar que o meu arrependimento, na verdade, era só uma defesa lógica para que eu não sentisse medo. E, hoje, resolvi assumir que, sim, estou com medo, e isso não me torna uma pessoa menor do que sou. Também resolvi assumir que, na verdade, não me arrependerei, mas devo ter a coragem de enfrentar todo o sofrimento que envolverá essa elaboração.
4. Por que sinto tanta dificuldade de me ver de uma outra forma? Há tantas pessoas que me enxergam como eu gostaria de ser, e se já o sou, por que não me aproprio disso?
5. Por que sempre acho que os Outros (olha o Lacan aqui mais uma vez) podem afetar os meus desejos, como se eles sempre estivessem fora do meu controle? E, mesmo que estejam, por que não posso (com)viver com isso?
Minha cabeça se divide a tentar responder estas duas perguntas. Se é que elas são passíveis de resposta por mim, neste momento.
Quando as coisas fogem do meu controle, é quando mais sinto angústia. E quanto mais angústia eu sinto, mais sei que estou perto de alguma descoberta que me modificará. Pelo que sinto hoje, estou no meio do caminho: sei que dias mais complicados virão pela frente, e me preparo heroicamente para encará-los.
Todo este caos não é nada além do que produto das minhas escolhas, e as escolhas nada mais são do que produtos de mim mesma.
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Um comentário:
Vamos às análises, afinal eu tb só elaboro depois q escrevo.
CTRL C - CTRL V
Falou de Lacan, baixou a inspiração! rs
Pela teoria:
O sujeito é alienado aos desejos do grande Outro, ou seja ele é OBJETO de desejo (e aí vem a angústia).
Ele só passa a ser de fato SUJEITO quando sai da alienação e passa a ter seus próprios desejos, ser desejante.
A questão central da histeria: o q é ser mulher? Na sequência: desejada e desejante.... pela teoria, isso seria um "meio alienada, meio sujeito".
Ora somos angustiadas, ora "angustiadoras"/angustiantes.
Nunca li sobre o q escrevi acima, mas provavelmente deve ter algo do tipo. Acho q tive um insight! rs Enfim, acho q tá explicado pq vc tem momentos em q se sente dona da sua vida/escolhas/desejos (= no CONTROLE), em outros se sente absurdamente angustiada e CONTROLADA, pq se coloca como objeto de desejo dos Outros.
Ai, ai, ai... mtas elaborações para ambas! Até a próxima sessão! rs
Te amo.
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