Ansiosa pela viagem.
O percurso já comecei dentro de mim, e ali também não será o término, será só uma das conseqüências e um dos destinos que a minha essência irá me levar. O curioso é que a vida toda quis ser livre, e sempre tive medo dessa liberdade: hoje, o medo não está ausente, mas já não me assusta. Muito menos impede.
Essa foi a principal transformação. Essa energia que estava aqui e agora veio de uma vez por todas. E essa transformação ocorreu quando deixei o passado no lugar que ele pertence.
Não desejo mais ter minha vida de antes. Quero outra coisa, outra história, outro roteiro. Também não quero mais quem “não sabe ficar sozinho”. Quando se aprende a ser sozinho, a escolha de quem teremos ao nosso lado é genuína, e o sentimento é real. Do contrário, desculpe, mas me soa ridículo.
Não quero gente pesada.
Não quero gente mal resolvida.
Minha transformação se deu a partir de uma intensa paixão pela VIDA. Não por pessoas, mas pela vida. Por todas as pessoas e por todas as possibilidades. Em um primeiro momento, eu não voava. Depois, timidamente tirei os pés do chão, mas sempre olhando para baixo. Até que olhei para o horizonte, e então voei de verdade.
Considere-me lá ao longe. Aquele ponto que brilha como uma estrela.
A saudade aparece cada dia menor. Assim como as memórias. Porque estou ocupada demais sendo feliz e vivendo.
A saudade aparece cada dia menor. Assim como as memórias. Porque estou ocupada demais sendo feliz e vivendo.
Não quero gente que não vive.
Gosto de quem me faz rir. Rir de perder o ar.
Sempre pensei que eu ia juntar os meus pedacinhos, mas não. Joguei tudo fora mesmo. Construí uma nova. Sem rachaduras, sem marcas: sou bela demais para tê-las.
Não quero gente que não me veja como sou. Nem que seja covarde para viver.
No fundo estou onde sempre quis. Me lembrei de muita coisa que eu havia deixado embaixo do tapete. Sonhos, objetivos, desejos, paixões. Sou grata pelo passado, lógico, mas minha história não parou.
Preciso do contato com a natureza, urgente.
Deh,
O Boludinho está com medo do avião. Faz um bilhetinho para ele, tadinho. Mas ele não pode saber que eu te contei, porque ele é corajoso.
As Maravilhas de Cada Mundo (Clarice Lispector)
“Tenho uma amiga chamada Azaléia, que simplesmente gosta de viver. Viver sem adjetivos. É muito doente de corpo, mas seus risos são claros e constantes. Sua vida é difícil, mas é sua.
“Tenho uma amiga chamada Azaléia, que simplesmente gosta de viver. Viver sem adjetivos. É muito doente de corpo, mas seus risos são claros e constantes. Sua vida é difícil, mas é sua.
Um dia desses me disse que cada pessoa tinha em seu mundo suas maravilhas. Quais? Dependia da pessoa.Ela então resolveu classificar as sete maravilhas de seu mundo.
Primeira: ter nascido. Ter nascido é um dom, existir, digo eu é um milagre.
Segunda: seus cinco sentidos que incluem em forte dose o sexto. Com eles ela toca e sente e ouve e se comunica e tem prazer e experimenta a dor.
Terceira: sua capacidade e amar. Através dessa capacidade, menos comum do que se pensa, ela está sempre repleta de amor por alguns e por muitos, o que lhe alarga o peito.
Quarta: sua intuição. A intuição alcança-lhe o que o raciocínio não toca e que os sentidos não percebem.
Quinta: sua inteligência. Considera-se uma privilegiada por entender. Seu raciocínio é agudo e eficaz.
Sexta: a harmonia. Conseguiu-a através de seus esforços, e realmente ela é toda harmoniosa, em relação ao mundo em geral, e a seu próprio mundo.
Sétima: a morte. Ela crê, teosoficamente, que tudo começa de novo, com a alegria das sete maravilhas renovadas.”
Trecho do livro “A Descoberta do Mundo”
Um comentário:
Me lembrou uma ceno do Matrix... ou ultimo, quando estão na terra das máquinas e p/ tentar fugir resolvem ir p/ o seu, passam por dificuldades, raios e tudo, mas quando chegam lá, acima das nuvens carregadas, encontram um nascer do sol lindo. É uma cena rápida, mas é bem o começo dessa historia, só q no seu caso alem de cair vc continuou no céu bonito.
^^
E pode deixar, vou fazer um bilhete p/ ele, mas no segredo só nosso.
bjs, flor.
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