From the rooftops I remember
There was snow white snow."
Violet Hill - Coldplay
Quando abri os olhos, na minha frente estavam meus dedos dos pés com unhas vermelhas. Meus dedos balançaram, como se me cumprimentassem e me recordassem que estavam com areia.
Aos poucos, os sons foram se tornando mais definidos e lentamente meu cérebro lembrou de onde eu estava. Lembrei que estava cansada, com fome e com sono. Lembrei que estava fugindo de algo, e buscando algo.
Os pensamentos, ainda confusos, voltaram. Mesmo sem eu querer. Meu desejo era continuar naquele estado distante de meditação, onde minha dor não doía. Mas não. Sempre a dor no coração me negando o sossego.
Dias atrás me disseram que tenho muitas perguntas. Sorteei uma delas para começar a responder. Pergunta que busco resposta há anos, sem nenhum resultado reconfortante duradouro.
Será que era melhor não ter perguntado?
(E segue-se uma lista de perguntas que faço de mim a mim mesma, e que só eu saberei o que a compõe).
E então a onda do mar vem e não faço nenhum esforço para sair dali. Deixo a água me molhar e reflito no que isso significa. Percebo, de repente, que sou a única pessoa de calças (agora molhadas) e caderno em mãos na praia toda. E sorrio.
Estou sempre distoando do ambiente, porque só faço questão de fazer parte do meu próprio habitat. Não preciso provar nada a ninguém, a essa altura da minha vida, onde passeio por aí com uma sacolinha onde guardo meu coração novo. Eu sei da luta diária do meu coração. Só eu sei.
E simplesmente não sei o que poderia ter siginificado a onda que veio.
De qualquer forma, estou cansada demais dessas tentativas de sobrevivência, árduas e sem pausa.
Mas amanhã nasce um novo dia. E eu sou de um tipo humano que jamais, em hipótese alguma, desiste de varrer o mundo à procura de um copinho onde esteja minha felicidade verde-alface.

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