sexta-feira, 16 de julho de 2010

Crônica de um dia perfeito







Acordo em uma manhã de sábado, mas não abro os olhos. Me detenho mais alguns minutos em contemplar, de olhos fechados, a minha paz. Sinto o calor do teu corpo ao meu lado, mas não me preocupo em saber se você também está acordado: quero, apenas, que eu curta o meu momento de sossego, e você curta o seu.

Através das pálpebras fechadas, sinto que faz sol lá fora. Um sol gostoso, não tropical, um sol de inverno. Desses sóis que os gatos deitam sob. Um dia propício para um passeio no parque, um vinho, um doce, um filme, e você.

Me espreguiço entre os lençóis, tomando cuidado para não te incomodar. Mas você está acordado, e seus enormes olhos azuis estão pousados sobre mim. Com carinho. Te olho com carinho de volta, e não sentimos necessidade de trocar nenhuma palavra. Me encosto em você, e você me recebe, como de costume, em minha casa.

Em nosso silêncio estamos compartilhando aquele momento de paz, com o mundo todo acordando lá fora. E nós nos damos o direito de não acordarmos naquele momento. Resolvo me levantar, e preparar uma mesa de café da manhã, com flores coloridas e café fresco.

Minha maior recompensa é ver teu sorriso, e teus lindos olhos grandes azuis.

A vida pode ser bem simples, e completa se houver amor nela.
(As fotos são de um apartamento em Paris. Sonhar renova o coração.)

"A felicidade aparece para aqueles que reconhecem a importância das pessoas da nossa vida." Clarice Lispector

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