sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os tomates

Hoje cheguei em casa e me fiz comida. Cortei tomates, pimentão. Comprei uma garrafa de vinho, arrumei a mesa, escolhi cuidadosamente uma taça bem brilhante. E cortei tomates.

Você vai achar insignificante. Eu sei, soa um pouco ridículo mesmo. Mas os tomates, e o pimentão, tiveram uma representação para mim: consegui dar mais um passo em frente. Faziam 8 meses que eu não cozinhava. Faziam 8 meses que eu não cortava um tomate.

Sentei à mesa, aquela onde você sempre esteve do outro lado. Faziam 8 meses que eu não sentava naquela mesa.

Abri meu livro, desliguei a tevê, e sumi do mundo. Desliguei o celular, e eu estava sem telefone e sem internet, o Universo providenciando para mim um momento de solidão sem desespero. Momento este que foi arduamente construído e elaborado. Como uma peça de jóia.

E esse meu momento foi mesmo uma jóia. Abri um pote de Nutella, comi de colher, sem preocupação. E tomei o vinho, devagar, com calma, querendo que o sono cheguasse no momento certo. Agora não, que estou entretida no livro, e as almofadas finalmente se ajeitaram à minha volta no sofá.

Fazia tempo que não pensava em você desse jeito. Mas hoje pensei. E pensei no amor. Não quero que seja uma fantasia. De que vale a vida sem o amor ou sem a busca por ele?

Chorei com passagens do livro que me lembraram demais quem eu sou.

“... aquele era o momento para eu procurar o tipo de cura e de paz que só podem vir da solidão.” “Eu estava treinando viver sozinha. E essa experiência estava provocando o início de uma mudança interna.”

Também comprei flores. Quero lembrar que a natureza existe, e que eu vim dela e sou parte dela. E, como tudo na natureza, algo morre para algo melhor e mais forte nascer. São ciclos. E eu sinto dentro de mim que estou vivendo um outro, um novo ciclo, colorido e perfumado. Tons mais claros e mais enrolarados. “Talvez a minha vida na verdade não tenha sido tão caótica assim. É apenas este mundo que é caótico e nos traz mudanças que ninguém poderia ter previsto.”


“Sou aquela que passou as primeiras semanas em Roma andando a esmo, 90% perdida e 100% feliz, vendo tudo à minha volta como um lindo mistério inexplicado. Mas é meio assim que o mundo sempre me parece ser.”

“A verdadeira sabedoria fornece a única resposta possível para determinado instante.”
Hoje, a resposta que eu tive foi: abre um vinho e corte tomates.
Trechos do livro Comer, rezar, amar de Elizabeth Gilbert.

Um comentário:

Deh disse...

*coração enche de ternura*

Fico feliz q esteja voltando a comer de verdade na sua casa. A dieta a base de club social era preocupante.

Corte tomates, descasse alhos, cozinhe batatas... deixe esses aromas entrar na sua vida.
Deixe ate mesmo o amor estar presente.
Mas q seja um amor sem dor.

bjs

 
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