Minha vida toda se comprime diante do mundo. Não quero pensar em futuros. Não quero pensar em possibilidades. Carrego nas costas o peso de uma caminhada sem nenhum propósito, e sem nenhuma vontade. Me perco nos meus pensamentos entre lençóis e travesseiros gelados, de um frio que vem de fora e vem de dentro.
Desejo tão enorme-mente que estivesse aqui. Sente o privilégio que tens, em ser assim tão requerido na felicidade de alguém? Um privilégio, ou quem sabe um fardo - talvez isso, hoje, seja para você somente, um fardo. Desejo tanto tê-lo nos meus bons dias e nos meus boas noites, tê-lo nos meus abraços e nas minhas conversas, tê-lo aqui.
Dentro de mim, repasso diálogos, repasso cenas, e tento sentir aquilo: 'estou em casa'. São pedaços de ilusões e de lembranças que me deixam perto de você, porque só tenho isso: pedaços de você. Hoje cheguei em casa e fechei os olhos: revivi quando te recebia com cafés e pães em noites frias, tentando aquecer os teus dias inertes e entediantes. Fechei os olhos bem apertados, sentindo a dor vindo - quando eu os abrisse, estaria ali sozinha, no meio da sala. Nunca mais terei 'estou em casa' sem você.
A minha casa costumava ser no teu ombro direito. Lembra? Tem ali minha tatuagem, para vocêr não esquecer. Não, você não pode ter esquecido de como éramos Um. Simplesmente não pode.
Talvez possa. Talvez seja doloroso assim. Fecho os olhos mais uma vez, e desejo tê-lo aqui na minha cama, na nossa cama. Conversando no meio da madrugada, ouvindo a tua voz aqui de perto, e sentindo o teu calor. Ah! deus, como faz falta teu calor. Meu coração que o diga.
Não posso fazer pedidos, seria inconveniente da minha parte. Sofro, mas sem querer incomodá-lo. Amo-o, ah! como amo, mas sem querer sufocá-lo. Só o que quero é você. E nós. Costumava ser tão bonito, e tão único.
E lembrando-me de quando estivemos na casa dele, te dedico essa frase:
"I love you as certain dark things are to be loved, in secret, between and the shadow and the soul." Pablo Neruda
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